Wednesday, August 12, 2015

Parlamentares federais e estaduais eleitos no Brasil, em 2014, agrupados por partido político

Inclui Deputados Federais, Estaduais, Distritais e Senadores.


Fonte: Observatório de Elites Políticas e Sociais Brasileiras - UFPR








TABELA



Democratas 70
Partido Comunista do Brasil 35
Partido da Mobilizacao Nacional 10
Partido da Republica 81
Partido da Social Democracia Brasileira 155
Partido Democratico Trabalhista 83
Partido do Movimento Democratico Brasileiro 213
Partido dos Trabalhadores 180
Partido Ecologico Nacional 17
Partido Humanista Da Solidariedade 16
Partido Patria Livre 4
Partido Popular Socialista 32
Partido Progressista 88
Partido Renovador Trabalhista Brasileiro 12
Partido Republicano Brasileiro 53
Partido Republicano da Ordem Social 39
Partido Republicano Progressista 15
Partido Social Cristao 46
Partido Social Democrata Cristao 11
Partido Social Democratico 114
Partido Social Liberal 18
Partido Socialismo e Liberdade 17
Partido Socialista Brasileiro 99
Partido Trabalhista Brasileiro 67
Partido Trabalhista Cristao 13
Partido Trabalhista do Brasil 15
Partido Trabalhista Nacional 23
Partido Verde 35
Solidariedade 38

Tuesday, August 4, 2015

A condenação sem provas é o oposto ao normal num Estado Democrático de Direito...


Mesmo distante, ouço as mesmas provocações das mesmas pessoas de sempre. Então, mais uma vez, eis uma clara afirmação sobre porque não apoiaria o movimento pró-impeachment.

Não sou contrário a esse antecipado movimento pró-impeachmentporque seja um eleitor do PT. Na verdade, sou o contrário disso. Como eleitor, no Brasil, nunca votei no PT por considerar sua ideologia e seu modus operandiinconsistentescom minha visão de mundo. O estilo autoritário do “lulo-petismo” só reforçou minha desconfiança e antipatia pela forma como tal partido tem operado no poder.

Mas há uma enorme diferença entre me opor a um governo, enquanto cidadão, e entender como aceitável o impedimento da Presidente, com base unicamente em acusações infundadas (porque, até que se prove o contrário, não há [nem acusação formal nem]provas para sua condenação).

Pessoalmente, posso ter minhas próprias “desconfianças” sobre sua (in)culpabilidade. Após o disparate das últimas campanhas eleitorais, com sua mentira pública aos eleitores, para conseguir ser reeleita, é difícil acreditar em sua plena inocência política. Mas essa desconfiança que tenho é a desconfiança normal dum liberal que, em certos aspectos, pende para uma antipatia semi-libertária contrao Estado e os governantes; é a desconfiança do eleitor que vê todos os políticos, em sua prática oficiosa, como inimigos do povo – todos eles, sem exceção.

Logo, desconfio – ou seja, não confio…

Entretanto, não confiar é diferente de condenar sem provas. A condenação sem provas, em si, é o oposto ao normal num Estado Democrático de Direito. Condenar um cidadão sem provas, sem um processo justo, é rasgar qualquer noção “civilizada” de Justiça, de Democracia, de Direito. E é fazer exatamente o que eles, que são Governo e são acusados de corrompê-lo, fizeram há não muito tempo atrás – também com base em acusações infundadas (porque, até que se prove o contrário, não havia[nem acusação formal nem]provas para a condenação de quem governava o Brasil à época).

Então, que investiguem as acusações – lembrando-se que quem acusa é quem deve oferecer provas – e que, se a culpa for provada, haja punição. Mas eu, enquanto alguém que defende o Estado de Direito e que – mesmo que discorde do voto da maioria e das consequências desse voto – permanece ao lado da Democracia, não posso subscrever a tamanha insanidade!

Gibson

Thursday, July 23, 2015

Ah, essa vanguarda revolucionária!


Ah, os revolucionários! Os orgulhosos e altivos senhores da verdade salvífica. A vanguarda que se eleva sobre os ignorantes iletrados políticos. Os anunciadores de boas novas trazidas à força da bala, do capital ou do prestígio socioinstitucional. Os únicos representantes de reais valores “democráticos” – isto é, da democracia eleitoral que confirma os resultados de suas próprias mensagens e escolhas. Ah, esses revolucionários!

Eles adornam-se com as mais variadas máscaras: umas mais docemente palatáveis que outras. Dividem sociedades para conquistá-las com o temor. Saqueiam a dignidade dos menos privilegiados, subestimando sua inteligência. E depois deleitam-se à mesa com banquetes exclusivos em palácios do poder. Ah, os revolucionários!

Ah, a vanguarda cega e auto-enganadora, revolucionária apenas no que concerne à conquista do poder! Exaltados por espíritos bajuladores nos palcos, nas telas e na imprensa, enquanto dirigem seus discípulos à escuridão da incoerência. Vanguarda multipartidária, mas monoliticamente estúpida! Vanguarda que ensina em escolas e universidades, que escreve para publicações e apresenta telejornais, que se candidata aos poderes republicanos, que defende candidatos e que escreve para o mundo cibernético. Ah, a vanguarda!

A vanguarda, como os antigos profetas, sempre nos levará à Terra Prometida – como o tem feito até hoje. Abramos mão, então, do que resta de nossa liberdade e a entreguemos aos cavaleiros do futuro. Só eles – e suas mais variadas cartilhas políticas, em todas as coordenadas geográficas (direita, centro, esquerda, e todos os extremos) – sabem onde devemos chegar e o que devemos fazer para alcançar esse destino.

Entreguemos nossa liberdade aos estudantes incendiários ou aos militaristas impiedosos. Entreguemos nossa liberdade aos duques dos Palácios ou aos barões das Câmaras. Entreguemos nossa liberdade aos sapientes das universidades ou aos pensadores midiáticos. Entreguemos nossa liberdade aos sindicatos ou aos movimentos sociais. Eles nos guiarão à Terra da Promissão!

Ah, essa vanguarda revolucionária!

Monday, July 20, 2015

A violência escolar e a nostalgia anacrônica e a-histórica!!!


Alguém ousou escrever-me, fazendo apologia a uma “intervenção militar”. Em meio à sua mensagem havia esta imagem, exibindo sua “comparação” anacrônica da realidade nas escolas brasileiras… A submissão ordeira versus a afronta desordeira…



O que haveria de errado na imagem, afinal de contas?

O “artista” das redes que colou imagens não identificadas para construir seu bem-intencionado protesto foi acometido duma nostalgia anacrônica e a-histórica, como muitos de nós frequentemente somos durante períodos de incerteza; e, assim, tolamente, ele sugere que a vida de professores e alunos fosse mais feliz, mais fácil, mais produtiva, mais patriótica.

O protesto do mentecapto artista torna-se, assim, uma projeção bovarista duma realidade construída pela ansiedade e temor diante da realidade com a qual se depara – ou aquela selecionada para exibição nos telejornais.

Supondo que as partes plácidas da montagem imagética representem salas de aula brasileiras, a que considerações poderíamos chegar?…

O que nosso “artista” de “photoshop” provavelmente não sabe é que até meados da década de 1960 a maioria das escolas brasileiras encontravam-se em áreas urbanas de grandes centros. Os estudantes dessas escolas provinham daquilo que costumam chamar de classes média e média-alta. A partir dessa época – que corresponde ao “período dos generais” –, começa a “massificação” (alguns chamam de “democratização”) da escola pública, ao mesmo tempo em que há aquele processo de urbanização desordenada do país. As escolas começam a receber estudantes advindos de estratos mais pobres da sociedade, e isso, em parte, causa o desprestígio da profissão docente – minha profissão – em meio às classes médias.

Assim, esse mito da escola “paraíso” reside no fato de que antes ela era uma escola para poucos. Desde aquela época, chegando até nossos dias, o acesso à escola tem se ampliado. E os problemas associados a isso, obviamente, se tornam mais óbvios. Na verdade, é bom enfatizar que problemas comportamentais de alunos sempre existiram. Mas, talvez, nosso “artista” nunca tenha lido “O Ateneu”, de Raul Pompeia. Se na década de 1970 não se viam fotos como aquelas nas escolas era porque, dentre tantas outras coisas – inclusive o fato de o país viver uma ditadura –, não se ter acesso a equipamentos de transmissão de imagens instantâneas como temos em nossos dias (caso contrário, quem sabe o que câmeras de celulares teriam captado?).

Ademais, não foi o PT quem criou esse comportamento nos estudantes. Mesmo que o comportamento fosse “criado” por quem administra a educação, os petistas não têm todos os Governos estaduais, todas as Secretarias de Educação estaduais e municipais, e nem todos os “gestores” de escolas são petistas. Logo, acusar o PT por isso é, no mínimo, ridículo (novamente, supondo que se pudesse culpar o governo pelo comportamento dos estudantes).

Agora, quanto à ladainha do pró-intervenção militar, nem vale a pena me dar ao trabalho de responder. Talvez devesse apenas lembrá-lo dum pequeno fato histórico:

A única vez na qual militares brasileiros intervieram na vida política do país para realmente respeitar a democracia e fazer valer as leis foi em 11 de novembro de 1955, quando evitaram um golpe de Estado que queria impedir a posse de Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.* Todas as outras intervenções foram golpes que não respeitaram nem a democracia, nem a lei, nem o “povo”!

Então, faça um favor à sua imagem, e deixe de propagar besteiras por aí!

Gibson

* Você pode ler mais sobre isso em: CARLONI, Karla. Forças armadas e democracia no Brasil: o 11 de Novembro de 1955. Rio de Janeiro: Garamond, 2012.

Sunday, July 19, 2015

Sobre alguns dos “novos liberais” brasileiros das redes sociais


Hoje serei o “advogado do diabo”. Como já zombei demais do establishment do dia, é hora de falar sobre o “outro lado”…

Não, ainda não os classifico exatamente como “fascistas”, até porque tenho instrução teórica suficiente para reconhecer certas características clássicas dos movimentos “fascistas” (alguns deles podem ser chamados, talvez, de semifascistas) – se bem que posso entender porque alguns os chamam assim… Mas chamá-los de “liberais” é uma grande piada de mau gosto!

Eles parecem ter se tornado a nova febre das redes sociais. Obviamente, o contexto político do país explica esse “novo modismo”[?]. Seus mantras são repetidos cansativamente, de forma semelhante àquela dos “evangelizadores” de coletivos em qualquer grande cidade brasileira: o PT, Dilma e os gays – não necessariamente nessa ordem – são o motivo para a “desgraça” da “República”.

Alguns defendem apressadamente o impeachment da Presidente da República – esquecendo-se que um Estado [Democrático] de Direito possui regras tanto para a condenação de supostos culpados quanto para revogar a decisão das urnas. Alguns deles chegam mesmo a defender uma intervenção militar.

Em sua ânsia em proclamar sua verdade recém-descoberta, propõem o silenciamento dos que pensam de forma distinta – agindo da mesma forma como, ou pior, os supostos vilões sobre os quais alardem sua verborragia apocalíptica.

O que mais me “surpreende” na tagarelice de alguns desses personagens é que, ao menos alguns deles, até pouquíssimo tempo atrás eram eleitores do mesmo partido que governa o país hoje. Mas, mesmo assim, classificam os eleitores do establishmentdo dia como moralmente desvirtuados.

Até ontem, alguns deles eram ateus. Mas, hoje, são religiosos ardorosos incumbidos de salvar a alma da “nação”.

Até ontem, alguns deles eram consumidores de “entretenimento” pornográfico. Mas, hoje, são os agentes moralizantes da “família” brasileira, com a missão de salvá-las especialmente dos gays e da degradação moral!

Realmente, confesso que não sei se rio ou se choro!

Como um liberal democrata de berço – filosófica, política, econômica, social, e teologicamente –, a liberdade, a diversidade, o domínio da Lei, a democracia, a autonomia individual e a paz têm uma importância maior do que os ciúmes partidaristas e as disputas pueris.

Sim, também tenho algumas convicções que entram em conflito com os caminhos seguidos, talvez, pela maioria dos demais cidadãos, mas meu credo pessoal é que só pode haver liberdade para mim se meu adversário também for livre; só pode haver justiça para mim se ele também tiver justiça. E eu tenho um compromisso com minha própria consciência de defender o direito de meu oponente dizer o que acredita, mesmo se o que diz me ofenda – porque só assim, moralmente, posso exigir o direito de dizer o que penso. Esse é o meu credo liberal de liberdade e de igualdade sob a Lei.

Mas os supostos “liberais” das redes sociais aparentemente não acreditam em nada disso. Eles acreditam, sim, neles mesmos como “o farol” da verdade, da segurança e da moralidade… Eles, enfim, cospem na tradição que dizem defender.

Sua suposta “moralidade política” resume-se às suas tentativas de construir uma imagem viável para eleitores socialmente conservadores. Não exibem conteúdo intelectual politicamente relevante. Daí sua belicosidade verborrágica. Mas sua encenação legalista desaba quando começam a falar, ou melhor, a escrever!… Provam que não estão preparados para liderar uma sociedade livre e democrática no século XXI. Sua hipocrisia moral, sua visão retrógrada de família, da mulher, da sexualidade humana, e de tantas outras coisas, torna-os perfeitos para dirigirem sociedades agrárias do século XIX.

Politicamente, não são liberais. São, no máximo, aventureiros que tentam compensar seu intelecto microscópico com gritos humanoides.

Gibson

Tuesday, July 7, 2015

O desvalor da vida e os crimes “hediondos”


Hoje, a Presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que transforma em crime hediondo e qualificado o assassinato de policiais civis, militares e federais, incluindo os rodoviários. Para quem se rende ao oba-oba dos grupos de pressão, a lei representa uma valorização dos representantes do Estado – já que, para eles, matá-los é um atentado ao Estado brasileiro. Para mim, contudo, a lei representa duas coisas: [1] um reflexo do quão insignificante e sem valor é a vida humana na “mentalidade” brasileira; e, [2] uma admissão, por parte do Estado, de sua derrota em proteger a vida humana.

Você só precisa ver alguma notícia sobre o assassinato de alguém, no Brasil, para entender meu primeiro ponto: “Ele(a) era um trabalhador(a)”. “Não tinha envolvimento com drogas”. “Era um bom rapaz/moça”. “Era pai/mãe de família”. Opiniões como essas sempre servem de justificativa à injustiça do assassinato de pessoas “inocentes”. São afirmações que parecem não incomodar a absolutamente ninguém. Retratam o imaginário coletivo dos brasileiros acerca do (des)valor da vida humana.

Ora, a vida humana possui valor independentemente de quem seja o personagem do enredo. Para mim, não importa se a pessoa é trabalhadora ou desocupada, abstêmia ou usuária de narcóticos, supostamente boa ou má, com ou sem prole; o que realmente importa, e sempre deveria importar, é que a vida é merecedora de proteção – se não porque queiramos, enquanto sociedade, proteger a vida de assassinos, por exemplo, simplesmente porque é a melhor lição que a sociedade dita civilizada pode ofertar: mostrar ao criminoso que as leis que o condenam são superiores ao caminho de crime que seguiu, e por isso mesmo, ele receberá a proteção que sua vítima não teve.

É justamente por a vida possuir um valor inalienável que torna-se imoral, em minha visão, tratar apenas o assassinato de agentes do Estado como hediondo, enquanto o assassinato de cidadãos comuns – tão humanos quanto os agentes do Estado – enquadra-se numa classificação de menor grau. Mas, olhando para a história da cultura política do Brasil, não é de surpreender tal aberração.

Porque o Estado todo poderoso brasileiro é incapaz de garantir a segurança de seus cidadãos e de seus agentes menores – sim, porque os agentes policiais não podem ser colocados no mesmo nível dos barões do Congresso ou dos Duques do Planalto –, precisa de leis que mascarem sua incompetência para salvaguardar a vida (isso para não citar a propriedade). Assim, encena-se uma proteção àqueles que supostamente deveriam proteger a vida do homem e da mulher comuns, violando qualquer princípio que afirme dever ser a vida de todos igualmente protegida.

O desvalor à vida se explicita, por exemplo, quando se compara a punição imediata a manifestações racistas, a saber a prisão sem direito à fiança, com o direito à fiança em casos que envolvem homicídio.

… Como ofender alguém pode ser mais grave que subtrair a vida de um ser humano? Você não pensa que há uma desproporcionalidade punitiva quando comparamos as consequências?... Bem, os legisladores brasileiros não!

Os barões do Congresso – muitos deles que publicamente se declaram “defensores da vida” – apenas se contradizem ao legalizarem a violência, tão enraizada na cultura nacional… E como “legalizam a violência”? Ao legalmente tornarem a vida dos agentes policiais mais cara que a vida dos cidadãos e cidadãs comuns! Sua lei, simbolicamente, violenta a memória dos homens, mulheres, crianças, e adolescentes que tiveram sua vida subtraída e cujos assassinos ainda não foram reeducados para integrarem à sua persona a ideia de que a vida humana é inerentemente valiosa e que quando matamos uma única pessoa, é como se tivéssemos matado toda a humanidade!

+Gibson

Friday, July 3, 2015

Um antídoto contra a idiotização virtual coletiva?


Uma das heranças mais marcantes de minha formação liberalfoi a de atentar ao contraditório – ouvir os argumentos divergentes e analisar no que eles podem enriquecer minhas próprias perspectivas e, se necessário, mudar minha posição. Isso, na tradição que me moldou, não é sinal de fraqueza; é, antes, um passo para a maturidade intelectual. E qualquer pessoa, especialmente alunos, que tenha convivido com minha personade “advogado do diabo” percebe o quanto isso está integrado à minha personalidade (quando, por exemplo, defendo uma posição frequentemente contrária à minha própria só para incitar um debate acerca dum dado problema).

Um grande professor e amigo que tive em minha primeira alma mater, e cujas ideias ainda me influenciam, costumava dizer que “desumanizaríamos as humanidades” (um de seustrocadilhos clássicos) se não desenvolvêssemos a capacidade de pensar criticamente acerca das ideias que abraçávamos e às quais éramos expostos. Lidar com as humanidades – ou “ciências humanas”, se preferirem –, para meu professor, implicava em lidar com a diversidade de ideias “racionalmente”, continuamente questionando nossas próprias posições.

Quando testemunho as “discussões” (?) nas quais se engajam certos intelectualoides humanistas, não consigo evitar pensar sobre qual seria a resposta de meu antigo professor se os ouvisse.

A verdade, para mim, é que muitos têm se tornadopapagaios idiotas na era do Facebook: repetem muitas ideias vazias, com baixíssima qualidade argumentativa, e xingam aqueles que discordam de si – como se isso servisse de cartão de visitas intelectual! Assim, aqueles de quem discordam são facilmente identificados como “fascistas”, “fundamentalistas”, “intolerantes”, “comunistas”, “esquerdistas”, “coxinhas” (direitistas), e sei lá mais o quê (a depender de sua lealdade ideológica) – e esses nobres porta-vozes da idiotice coletiva envergonham qualquer sombra de racionalidade crítica.

E o triste, para mim, é que muitos dos que fazem parte dessa atividade para desocupados – o linchamento virtual dos que defendem uma posição contrária – são os “ilustrados” das humanidades... Pelo jeito, as onipresentes leituras pós-modernas às quais foram expostos não foram suficientes para salvá-los da ignorância e, assim, podem deleitar-se com seu eterno status de idiotas virtuais!

E o antídoto? Há?... Sim: abandonem o vazio do Facebook e voltem-se aos livros (isso, obviamente, é apenas uma metáfora, mas pode ser útil a alguns se cumprirem-na ao pé da letra!). Pesquisem sobre as ideias que lhes aborrecem. Aprendam sobre as posições daqueles que tanto adjetivam. Questionem a si próprios. Você não será nem imitação de intelectual, se não conseguir argumentar. E, para argumentar, deve haver empatia – na realidade, a empatia é indispensável para que sejamos humanos plenos –, assim como conteúdo inteligível...

E, para reforçar um conselho daquele meu antigo professor: pense duas vezes antes de repetir o que parece óbvio demais!

+Gibson

Sunday, June 7, 2015

Para proteger as famílias brasileiras, diga não ao PL-6583/2013!!!


Poucas coisas ainda conseguem me chocar quando acompanho as notícias políticas do Brasil e o fanatismo “partidarista” de grande parcela da sociedade brasileira. Um dos exemplos mais recentes refere-se ao chamado “Estatuto da Família” e a seu apoio por parte de supostos defensores do “Estado mínimo”. A insensatez, incoerência e ignorância teórica desses supostos adeptos das tradições minimalistas (conservadora, liberal ou liberal conservadora no Brasil) é um reflexo do vazio “crítico” – e utilizo “crítico” aqui num senso kantista – do discurso político brasileiro. Assim, aqueles que normalmente reclamam da interferência estatal na vida do cidadão, quando lhes convém, defendem um “Estatuto”, que define o que é uma família, que estabelece “conselhos da família” etc – ou seja, que entrega ao Estado ainda mais poderes no que concerne à vida privada... E o que realmente fazem é atolar-se num lamaçal de incoerências filosóficas!

Não tenho muito tempo para escrever hoje, mas permitam-me esclarecer brevemente porque penso o que penso sobre o tema.

O artigo 2º do PL-6583/2013 (o tal Estatuto da Família), de autoria do Deputado Federal Anderson Ferreira, de Pernambuco, define “entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

Para o autor do projeto, “a família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade, cabendo ao Poder Público enfrentar essa realidade, diante dos novos desafios vivenciados pelas famílias brasileiras.”

Em sua justificativa para o projeto, Anderson Ferreira só não cita o óbvio: a verdadeira razão para uma definição do que seja uma entidade familiar é simplesmente excluir as famílias formadas por casais do mesmo sexo. Em sua “cruzada” em favor duma definição “heterossexualizante” da constituição familiar (já que, em sua definição, uma família pode ser formada por apenas um dos genitores e seus filhos – uma constituição, per se, já não mais “tradicional”), o autor acaba por não reconhecer que famílias “tradicionais” podem também ser formadas apenas por irmãos e/ou irmãs (casos já reconhecidos, no Ocidente, desde, pelo menos, o Direito Romano).

A própria definição e o caminho político desse projeto refletem uma ausência de bom senso, tanto por parte dos que o defendem com suposta base em argumentos políticos, quanto por aqueles que o fazem com suposta base em argumentos teológicos (sobre os quais tratarei posteriormente).

Pensemos, por exemplo, naquilo que Adam Smith chamou de sistema de “liberdade natural”. Quando o Estado funciona da forma certa, deve facilitar as interações entre pessoas livres, respeitando e protegendo os direitos de cada indivíduo, independentemente de suas características individuais.

Nossas sociedades passaram, ao longo dos séculos, por transformações concernentes à forma como encaramos certos comportamentos sociais. As leis, como reflexos dessas transformações, também sofreram alterações. Assim, enquanto, há algum tempo, o casamento era visto como indissolúvel – e casais que já não mantinham um relacionamento propriamente conjugal eram forçados a desempenharem o papel social do “casal”, da “boa família” –, hoje há a possibilidade de casais desfazerem seus laços legais e se engajarem em outros relacionamentos. O Estado tem protegido o direito de o indivíduo desfazer suas ligações conjugais com outra parte, mesmo que isso acarrete um custo financeiro a uma das/ambas as partes.

O Estado também reconhece configurações familiares de facto (isto é, aquelas não formalmente jurídicas). De fato, a própria definição de família dada pelo Estatuto em questão o faz, quando diz: “[...] união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável[...]”. Ou seja, o projeto de lei defendido por supostos “tradicionalistas” reconhece outras formas de organização familiar – como uma família constituída por uma mãe solteira, por exemplo. Mas não o faz com um casal formado especialmente por dois homens, porque isso implicaria, para seu autor e defensores, uma “autorização” para a adoção por parte de indivíduos ou casais gays.

O cerne da questão não seria, então, os interesses da sociedade enquanto aglomerado político – que incluiriam, por exemplo, a proteção à propriedade, às liberdades individuais e ao direito de cidadãos livres se engajarem em contratos sociais –, mas, sim, os interesses duma mentalidade moral incoerente.

Que coerência pode haver em pessoas que, em sua visão teológica, são contrários à liderança eclesiástica feminina, mas, em sua vida política, apoiam para a Presidência da República uma mulher? Você consegue acreditar na seriedade/sinceridade deles? Que coerência pode haver quando um grupo é contrário à intervenção estatal na vida econômica, por exemplo, mas é favorável à intervenção estatal na definição das relações humanas para fins de proteção jurídica?...

Esses são apenas alguns dos problemas relacionados a esse tal “Estatuto da Família”. Infelizmente, não tenho tempo para escrever sobre todos os aspectos nos quais tenho pensado. Basta-me enfatizar que sou contrário a essa lei que, maquiando-se de protetora das famílias, presta-se apenas à subtração de proteção legal a famílias específicas!

VOCÊ QUER PROTEGER AS FAMÍLIAS BRASILEIRAS? ENTÃO, DIGA NÃO AO PL-6583/2013!!!

+Gibson

Sunday, April 19, 2015

A imprensa como fonte de "verdade"?... Só se for com ceticismo crítico!


Minha atual pesquisa sobre como a imigração – legal e paralegal – tem sido noticiada na imprensa duma cidade específica dos EUA nas últimas três décadas ensinou-me muito sobre como as pessoas encaram o papel dos meios de comunicação de massa de forma confusa. A descrição do “outro”, como o “alienígena” que vem atacar um estilo de vida e consumir recursos, parece conflitar com relatos que carregam um profundo senso humanitário no que concerne àqueles que estão distantes... Ler as notícias e as reações dos leitores, através de suas correspondências impressas nesses jornais, é uma viagem à complexidade da mente humana e do papel desempenhado pela imprensa em “sociedades democráticas”.

Para mim, enquanto a liberdade na divulgação de notícias e de opiniões é essencial à democracia – independentemente do quanto eu discorde da validade de seu conteúdo e de sua interpretação –, aquilo que é produzido pelos meios de informação é social-político-culturalmente condicionado. Assim, trato as fontes jornalísticas com certo ceticismo investigativo, pensando ser indispensável ir além daquilo que foi divulgado, se quiser alcançar um retrato mais amplo do que foi narrado (apesar de, com isso, não querer insinuar, em absoluto, que seja adepto duma teoria da conspiração da sociedade!).

A confusão, para mim, emerge quando penso que eu, sendo um defensor da “liberdade de imprensa”, encaro os noticiários com ceticismo, enquanto outros, que se apresentam como críticos daquela “liberdade”, abraçam qualquer notícia que seja favorável às suas plataformas ou representantes políticos como verdade inquestionável!

Meu ceticismo, a propósito, faz-me questionar a própria noção de “liberdade de imprensa” que, frequentemente, defendo com tanto afinco. Afinal, eu – talvez mais que qualquer outro – sei que não há liberdade plena nas redações. A “liberdade” é moldada pela cultura profissional, pelos interesses corporativos e pelos conflitos entre os atores. Assim, a “notícia” deve ser encarada com criticidade. Não quero dizer, com isso, que devamos pensar que os meios de comunicação em massa produzam mentira; mas devemos estar cientes que seus relatos – sejam eles quais forem – são produtos condicionados pelos contextos nos quais estão inseridos.

Assim, fujo dos relatos supostamente factuais e definitivos como um bom haredi fugiria de carne suína!... Como em tudo em minha vida, leio as notícias sobre o que quer que seja com olhos céticos!

+Gibson

Sunday, April 12, 2015

Democracia, Liberdade e Idiotices: Mais uma vez, o melodrama pós-eleitoral brasileiro...


Governantes e seus governos não são “amigos” dos “governados”. Aliás, “governo” e “governados” já têm sua existência baseada numa normalíssima oposição de interesses. É só olhar para a história da relação entre governados e governantes em qualquer democracia: os governados sempre emitirão críticas pesadas àqueles que os governam, pois os segundos explicitam interesses opostos aos dos primeiros – por mais “bem-intencionados” que sejam ou queiram parecer.

Obviamente, há exceções à emissão de críticas aos governantes: trata-se das realidades das não-democracias e/ou das antidemocracias. Mas não é sobre essas realidades que penso agora.

Penso, agora, sobre a patética novela pós-eleitoral brasileira, que tem demonstrado ser uma comédia de muito mau gosto – em todos os aspectos. E essa novela tem aspectos bizarros para alguém que, como eu, tenha mais o que fazer com seu tempo. É uma novela onde não há heróis nem vítimas – só idiotas (no sentido dado ao termo pelos antigos latinófonos).

Um dos grupos de personagens dessa novela é formado pelos que não sabem “perder”. Sem argumentos sólidos, e sem base evidencial, exigem a deposição da Presidente da República, como se tal evento – se fosse justo e legal, o que não considero que (ainda) seja – não trouxesse consequências traumáticas para a vida institucional, política e econômica do país. Esse grupo é formado por subgrupos, cada qual com demandas distintas – algumas das quais têm muito mais a ver com alguma patologia psicótica do que com democracia!

Um outro grupo de personagens, os que detêm mais prestígio sociocultural, é formado pelos “defensores” da Presidente da República – e aí incluem-se desde os defensores condicionais da Presidente (i.e., os defensores racionais da instituição democrática do voto), até os militantes partidários que tendem a defender argumentos menos sofisticados (sim, os que preferem a retórica do “rico versus pobre”, “branco versus negro” etc).

Há, obviamente, a personagem principal dessa comédia melodramática: a própria Presidente da República – pivô da “guerra cultural” que aqueles diferentes grupos conseguiram tirar das cartilhas ideológicas e materializar no mundo real.

Como já escrevi tantas vezes antes, ainda não vejo razões legais para que ela seja impedida/deposta. Ainda não se apresentaram evidências nem provas de que tenha cometido algum crime que justifique tal ação. Ela foi eleita através dum processo democrático, e a democracia requer que a decisão da maioria seja legalmente respeitada.

Reconhecer isso, contudo, não me impede de ver a responsabilidade que ela – a Presidente – tem diante do que acontece em sua administração. Não me impede, também, de ver a sujeira das táticas eleitorais que levaram-na à reeleição. Mas isso não é suficiente para sair por aí exigindo seu impedimento/deposição. Até porque, se pensarmos a respeito, quem ocuparia seu lugar? Não seria exatamente quem já está no governo? (Algo que os manifestantes do “Fora Dilma” aparentemente não se dão conta!)

A idiotice de todos esses grupos de personagens – a Presidente e seu governo, seus apoiadores e os defensores do “fora!” – torna-se uma grande distração para o que deveriam estar fazendo.

No caso dos idiotas apoiadores do governo, como eleitores que puseram no poder o governo do dia, esses deveriam ser os primeiros a exigir a investigação dos envolvidos nas denúncias de corrupção e a punição dos culpados. Mas, em vez disso, saem às ruas para defendê-los, como se fossem perseguidos políticos. Elevam o governo petista ao altar heroico das entidades sacras e, quando há uma nova acusação por parte da Justiça ou Polícia Federal a um membro do partido ou do governo, perdem-se em argumentações infantis. Agem como se o governo estivesse a seu favor – tolamente desconsiderando a oposição à qual me referi anteriormente.

No caso dos idiotas pró-impedimento, não precisam se esforçar muito para virar piada para qualquer um que se dê ao trabalho de refletir. Muitos apresentam-se como “conservadores”, esquecendo que a tradição conservadora há muito é democrática. Muitos de seus argumentos irresponsáveis são a principal razão para que sejam – talvez erroneamente, no caso da grande maioria deles – classificados como “fascistas” pelos demais. Certos ou errados, conservadores ou fascistas, a retórica dos membros desses diferentes grupos me causa um imenso mal-estar – eles fazem com que minha visão liberal democrata de mundo se sinta extremamente ameaçada!

O que parece haver em comum entre os apoiadores do governo e os apoiadores do impedimento é sintomático da cultura política brasileira: uma forma extremada da teoria da conspiração da sociedade, da era da Guerra Fria, que serve como um alicerce sobre o qual erigem sua retórica política. Os anos passam, as circunstâncias mudam, mas a vida política brasileira continua aprisionada ao imaginário de meados do século XX.

Eu, que tenho mais o que fazer com meu tempo e minha vida, sou um adepto da Democracia Liberal, da Constituição, das Liberdades Civis, da Legalidade; logo, não me junto a quem desafia esses alicerces de meu credo político. Não sou partidário nem eleitor do governo, e por isso estou livre para criticá-lo – e se fosse partidário e eleitor do mesmo, o criticaria ainda mais. Não tenho heróis ou heroínas políticos, assim, fui, sou e espero continuar a ser implacável em minha oposição a todos aqueles que se aproveitam do “povo” para proveito próprio, estejam eles na “situação” ou na “oposição”.

Vida longa à democracia e à liberdade – mesmo que seja a sua ou minha liberdade para dizer idiotices!

+Gibson