Hoje serei o “advogado do diabo”. Como já zombei demais do establishment do dia, é hora de falar sobre o “outro lado”…
Não, ainda não os classifico exatamente como “fascistas”, até porque tenho instrução teórica suficiente para reconhecer certas características clássicas dos movimentos “fascistas” (alguns deles podem ser chamados, talvez, de semifascistas) – se bem que posso entender porque alguns os chamam assim… Mas chamá-los de “liberais” é uma grande piada de mau gosto!
Eles parecem ter se tornado a nova febre das redes sociais. Obviamente, o contexto político do país explica esse “novo modismo”[?]. Seus mantras são repetidos cansativamente, de forma semelhante àquela dos “evangelizadores” de coletivos em qualquer grande cidade brasileira: o PT, Dilma e os gays – não necessariamente nessa ordem – são o motivo para a “desgraça” da “República”.
Alguns defendem apressadamente o impeachment da Presidente da República – esquecendo-se que um Estado [Democrático] de Direito possui regras tanto para a condenação de supostos culpados quanto para revogar a decisão das urnas. Alguns deles chegam mesmo a defender uma intervenção militar.
Em sua ânsia em proclamar sua verdade recém-descoberta, propõem o silenciamento dos que pensam de forma distinta – agindo da mesma forma como, ou pior, os supostos vilões sobre os quais alardem sua verborragia apocalíptica.
O que mais me “surpreende” na tagarelice de alguns desses personagens é que, ao menos alguns deles, até pouquíssimo tempo atrás eram eleitores do mesmo partido que governa o país hoje. Mas, mesmo assim, classificam os eleitores do establishmentdo dia como moralmente desvirtuados.
Até ontem, alguns deles eram ateus. Mas, hoje, são religiosos ardorosos incumbidos de salvar a alma da “nação”.
Até ontem, alguns deles eram consumidores de “entretenimento” pornográfico. Mas, hoje, são os agentes moralizantes da “família” brasileira, com a missão de salvá-las especialmente dos gays e da degradação moral!
Realmente, confesso que não sei se rio ou se choro!
Como um liberal democrata de berço – filosófica, política, econômica, social, e teologicamente –, a liberdade, a diversidade, o domínio da Lei, a democracia, a autonomia individual e a paz têm uma importância maior do que os ciúmes partidaristas e as disputas pueris.
Sim, também tenho algumas convicções que entram em conflito com os caminhos seguidos, talvez, pela maioria dos demais cidadãos, mas meu credo pessoal é que só pode haver liberdade para mim se meu adversário também for livre; só pode haver justiça para mim se ele também tiver justiça. E eu tenho um compromisso com minha própria consciência de defender o direito de meu oponente dizer o que acredita, mesmo se o que diz me ofenda – porque só assim, moralmente, posso exigir o direito de dizer o que penso. Esse é o meu credo liberal de liberdade e de igualdade sob a Lei.
Mas os supostos “liberais” das redes sociais aparentemente não acreditam em nada disso. Eles acreditam, sim, neles mesmos como “o farol” da verdade, da segurança e da moralidade… Eles, enfim, cospem na tradição que dizem defender.
Sua suposta “moralidade política” resume-se às suas tentativas de construir uma imagem viável para eleitores socialmente conservadores. Não exibem conteúdo intelectual politicamente relevante. Daí sua belicosidade verborrágica. Mas sua encenação legalista desaba quando começam a falar, ou melhor, a escrever!… Provam que não estão preparados para liderar uma sociedade livre e democrática no século XXI. Sua hipocrisia moral, sua visão retrógrada de família, da mulher, da sexualidade humana, e de tantas outras coisas, torna-os perfeitos para dirigirem sociedades agrárias do século XIX.
Politicamente, não são liberais. São, no máximo, aventureiros que tentam compensar seu intelecto microscópico com gritos humanoides.
Gibson
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