Mesmo distante, ouço as mesmas provocações das mesmas pessoas de sempre. Então, mais uma vez, eis uma clara afirmação sobre porque não apoiaria o movimento pró-impeachment.
Não sou contrário a esse antecipado movimento pró-impeachmentporque seja um eleitor do PT. Na verdade, sou o contrário disso. Como eleitor, no Brasil, nunca votei no PT por considerar sua ideologia e seu modus operandiinconsistentescom minha visão de mundo. O estilo autoritário do “lulo-petismo” só reforçou minha desconfiança e antipatia pela forma como tal partido tem operado no poder.
Mas há uma enorme diferença entre me opor a um governo, enquanto cidadão, e entender como aceitável o impedimento da Presidente, com base unicamente em acusações infundadas (porque, até que se prove o contrário, não há [nem acusação formal nem]provas para sua condenação).
Pessoalmente, posso ter minhas próprias “desconfianças” sobre sua (in)culpabilidade. Após o disparate das últimas campanhas eleitorais, com sua mentira pública aos eleitores, para conseguir ser reeleita, é difícil acreditar em sua plena inocência política. Mas essa desconfiança que tenho é a desconfiança normal dum liberal que, em certos aspectos, pende para uma antipatia semi-libertária contrao Estado e os governantes; é a desconfiança do eleitor que vê todos os políticos, em sua prática oficiosa, como inimigos do povo – todos eles, sem exceção.
Logo, desconfio – ou seja, não confio…
Entretanto, não confiar é diferente de condenar sem provas. A condenação sem provas, em si, é o oposto ao normal num Estado Democrático de Direito. Condenar um cidadão sem provas, sem um processo justo, é rasgar qualquer noção “civilizada” de Justiça, de Democracia, de Direito. E é fazer exatamente o que eles, que são Governo e são acusados de corrompê-lo, fizeram há não muito tempo atrás – também com base em acusações infundadas (porque, até que se prove o contrário, não havia[nem acusação formal nem]provas para a condenação de quem governava o Brasil à época).
Então, que investiguem as acusações – lembrando-se que quem acusa é quem deve oferecer provas – e que, se a culpa for provada, haja punição. Mas eu, enquanto alguém que defende o Estado de Direito e que – mesmo que discorde do voto da maioria e das consequências desse voto – permanece ao lado da Democracia, não posso subscrever a tamanha insanidade!
Gibson
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