Tuesday, August 25, 2015

Vargas, o grande democrata!



Gibson da Costa


Hoje, 25 de agosto de 2015, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal nos ensina a história que desconhecíamos sobre o vulto mais piedosamente democrático que já pisou o solo brasileiro – ao que parece, inventor da “cidadania” –, Getúlio Vargas.

Esqueçam as intrigas mentirosas levantadas a seu respeito pela imprensa golpista de sua época e que perduram até hoje, retratando a nobre alma do finado “estadista” como ditatorial. Esqueçam o Estado Novo. Para os senadores, sindicalistas e “intelectuais” no Senado Federal, Vargas foi um herói. Lembrem-se do trabalhismo que inaugurou. Lembrem-se da Petrobrás. Getúlio foi, de fato, o “padrinho” dos “trabalhadores” brasileiros.

Essa é, ao menos, a narrativa das homenagens prestadas na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal hoje, e em todo o Congresso Nacional ao longo desta semana, à memória do autoimolado trabalhista.

Quanta incoerência para uma época na qual virou refrão popular adjetivações que fazem referências a autoritarismo, golpismo e ditadura! Quanta incoerência homenagear o líder dum regime violento e ditatorial, como se houvera sido um arcanjo democrático, num órgão chamado de “Comissão de Direitos Humanos”!

Onde estão os tais “valores democráticos” defendidos pelos grupos políticos que se apresentam como defensores dos mais fracos e oprimidos? Em nome duma ideologia qualquer, as “vítimas” do passado dão lugar ao seu “opressor” mais uma vez – cuja memória é adulada como a dum sacrossanto herói nacional.

O interessante é que os bajuladores do ditador são os mesmos que exigem mudanças de nomes de ruas que “homenageiam” os últimos ditadores da República!

Quanta incoerência!

O utilitarismo filosófico de quinta categoria dos políticos e “intelectuais” tupiniquins me enoja!


Sunday, August 16, 2015

Das manifestações de hoje


Gibson da Costa


Há dois espaços hegemônicos para a manifestação de insatisfação política no Brasil pós-06/2013: as “redes sociais” e as ruas – as urnas não, já que parecem ter se tornado apenas um depósito de obrigações, levando em consideração que a maioria dos candidatos é conhecida por não cumprir promessas e grande parte dos eleitores como compradores das mesmas. [Taí, queria ver uma grande manifestação de protesto contra os políticos profissionais com uma greve de eleitores no dia das eleições! Isso, sim, seria uma manifestação que gostaria de ver!]

O que há de comum entre as “redes sociais” e as ruas é que, frequentemente, são o palco da intolerância ao inconformismo alheio. Se quiser confirmar o que digo, você só precisa externar uma ideia oposta a quem lhe lê ou ouve e prontamente será (des)qualificado com adjetivos que carregam, em seu bojo, o ódio de seu adversário ao inconformismo de ideias. Conheço isso de perto e, talvez, melhor do que qualquer um, porque já fui alvo de ataques verbais dos dois[?] grandes lados das manifestações do Brasil neste período pós-06/2013 até hoje. [É bom até já ir me preparando para ler certas mensagens que receberei como resposta a este texto!]

O que me fascina na prática de todos os manifestantes é seu apelo àquele deplorável costume antiquíssimo, já dominante desde, pelo menos, o cenário político dos antigos romanos: não basta atacar as ideias de seus adversários, você tem de atacá-los pessoalmente, tem de desqualificá-los enquanto indivíduos. O debate de ideias perde para o devaneio emotivo, já que se entregar à semi-irracionalidade das emoções – e “semi-” porque as emoções nem sempre são irracionais – é mais fácil que se engajar num diálogo. Assim, é mais fácil adjetivar pejorativamente adversários do que apontar o que pensamos estar errado em suas ideias ou ações.

Todos os grupos ativistas, infelizmente, fazem isso. Os anti-Rousseff fazem isso com os pró-Rousseff. Os pró-Rousseff fazem isso com os anti-Rousseff. O movimento gay faz isso com a bancada religiosa no Congresso. A bancada religiosa no Congresso faz isso com o movimento gay. Os evangélicos fazem isso com os católicos. Os católicos fazem isso com os evangélicos… E o deplorável monólogo desqualificante continua ad infinitum!

Esse é um erro coletivo do qual todos somos, até certo ponto, cúmplices. Mesmo que inconscientemente, se aceitamos essa prática ou dela participamos, contribuímos com o caos do desentendimento.

Como já escrevi e disse várias vezes, discordo do alvoroço pró-impeachment até que haja (se houver) provas contra a Presidente da República. Sou contrário a inúmeras das ideias defendidas pelos manifestantes brasileiros hoje. Desconfio das intenções de alguns dos que se autoproclamam líderes dos movimentos de hoje no Brasil – alguns deles, que conheço pessoalmente, provavelmente têm intenções eleitorais para o ano que vem e se aproveitam da situação para se autopromover, ludibriando alguns de seus seguidores. Isso, entretanto, não desqualifica o fato de que muitos brasileiros manifestaram sua insatisfação com o estado das coisas.

O fato de manifestantes terem um background socioeconômico mais elevado não os desqualifica como cidadãos ou eleitores. O fato de cidadãos da dita “classe média” baterem panelas ou carregarem faixas, como protesto, não pode ser racionalmente visto como sinônimo de “golpismo” ou “fascismo”, como querem os partidários do Governo. Mesmo a infelicidade de estarem defendendo ideias com as quais não concordo não os desqualifica como cidadãos. Não tenho absolutamente nada contra esses cidadãos – muito pelo contrário!

Como escrevi acima, e em outras ocasiões, não confio em seus líderes, nem em algumas das ideias que defendem. Penso que o fanatismo de muitos deles não difere em nada daquele dos governistas que atacam opositores, como eu, com adjetivos como “reacionário” e “fascista” – que, infelizmente, enchem minha caixa de e-mail todos os dias. Mas, fico feliz em ver pessoas se manifestarem – especialmente se não houver a desordem e o desrespeito ao patrimônio público que marcaram as manifestações do verão de 2013.

Não sairia eu em manifestações como essas por uma série de razões ideológicas. A mais importante delas concerne ao fato de eu ser contrário ao movimento pró-impeachment que, no Brasil, tem sido usado – desde o período Collor – como uma arma de capricho político das oposições que renunciam a única arma que deveria ser utilizada na política democrática: o debate de ideias. Essa é a principal razão pela qual não tomaria parte em tais movimentos – prefiro não ter minha imagem associada a movimentos que defendem ideias das quais não partilho, mesmo que, em se tratando do manifestante comum, aplauda sua participação cidadã.

Como um liberal democrata, eleitor da oposição atual, crítico do Governo Rousseff, que acredita na obrigação de o mesmo (e de qualquer outro) ser fiscalmente responsável e estar limitado pela lei em seu modus operandus, já fui acusado por ativistas pró-Rousseffde ser um “reacionário fascista”!

Contudo, por ser um liberal democrata, comprometido com o Estado de Direito e com a democracia liberal; por acreditar no processo justo e na inocência até que se prove a culpa; e, consequentemente, me opor a um clamor por impeachment da Presidente antecipado ao justo processo; sou qualificado pelos ativistas anti-Rousseff como “comunista” (você teria de entender o peso semântico do termo para esses ativistas!), “aliado dos corruptos”, ou – como um dos líderes do movimento em Recife escreveu-me recentemente, após me manifestar contrariamente ao movimento “impeachmentista” – como alguém comprometido com o projeto de permanência da “esquerda” no poder!

E aí a política se resume ao lançamento de desqualificativos ao “outro lado”. E, no fim. Todos perdem!

Para finalizar, é importante que eu deixe algo muito claro. Não acredito no “Brasil”. Não amo o “Brasil”. Não espero nada do “Brasil”. E isso porque o “Brasil” – como essa entidade etérea presente em refrões e faixas – não existe! O “Brasil” são os brasileiros; e neles, sim, acredito; eles, sim, amo; deles, sim, espero muito.

E seria muito legal e recompensador descobrir, um dia, que os brasileiros aprenderam a dialogar, e não simplesmente a atirar adjetivos desqualificadores uns contra os outros!


Wednesday, August 12, 2015

Parlamentares federais e estaduais eleitos no Brasil, em 2014, agrupados por partido político

Inclui Deputados Federais, Estaduais, Distritais e Senadores.


Fonte: Observatório de Elites Políticas e Sociais Brasileiras - UFPR








TABELA



Democratas 70
Partido Comunista do Brasil 35
Partido da Mobilizacao Nacional 10
Partido da Republica 81
Partido da Social Democracia Brasileira 155
Partido Democratico Trabalhista 83
Partido do Movimento Democratico Brasileiro 213
Partido dos Trabalhadores 180
Partido Ecologico Nacional 17
Partido Humanista Da Solidariedade 16
Partido Patria Livre 4
Partido Popular Socialista 32
Partido Progressista 88
Partido Renovador Trabalhista Brasileiro 12
Partido Republicano Brasileiro 53
Partido Republicano da Ordem Social 39
Partido Republicano Progressista 15
Partido Social Cristao 46
Partido Social Democrata Cristao 11
Partido Social Democratico 114
Partido Social Liberal 18
Partido Socialismo e Liberdade 17
Partido Socialista Brasileiro 99
Partido Trabalhista Brasileiro 67
Partido Trabalhista Cristao 13
Partido Trabalhista do Brasil 15
Partido Trabalhista Nacional 23
Partido Verde 35
Solidariedade 38

Tuesday, August 4, 2015

A condenação sem provas é o oposto ao normal num Estado Democrático de Direito...


Mesmo distante, ouço as mesmas provocações das mesmas pessoas de sempre. Então, mais uma vez, eis uma clara afirmação sobre porque não apoiaria o movimento pró-impeachment.

Não sou contrário a esse antecipado movimento pró-impeachmentporque seja um eleitor do PT. Na verdade, sou o contrário disso. Como eleitor, no Brasil, nunca votei no PT por considerar sua ideologia e seu modus operandiinconsistentescom minha visão de mundo. O estilo autoritário do “lulo-petismo” só reforçou minha desconfiança e antipatia pela forma como tal partido tem operado no poder.

Mas há uma enorme diferença entre me opor a um governo, enquanto cidadão, e entender como aceitável o impedimento da Presidente, com base unicamente em acusações infundadas (porque, até que se prove o contrário, não há [nem acusação formal nem]provas para sua condenação).

Pessoalmente, posso ter minhas próprias “desconfianças” sobre sua (in)culpabilidade. Após o disparate das últimas campanhas eleitorais, com sua mentira pública aos eleitores, para conseguir ser reeleita, é difícil acreditar em sua plena inocência política. Mas essa desconfiança que tenho é a desconfiança normal dum liberal que, em certos aspectos, pende para uma antipatia semi-libertária contrao Estado e os governantes; é a desconfiança do eleitor que vê todos os políticos, em sua prática oficiosa, como inimigos do povo – todos eles, sem exceção.

Logo, desconfio – ou seja, não confio…

Entretanto, não confiar é diferente de condenar sem provas. A condenação sem provas, em si, é o oposto ao normal num Estado Democrático de Direito. Condenar um cidadão sem provas, sem um processo justo, é rasgar qualquer noção “civilizada” de Justiça, de Democracia, de Direito. E é fazer exatamente o que eles, que são Governo e são acusados de corrompê-lo, fizeram há não muito tempo atrás – também com base em acusações infundadas (porque, até que se prove o contrário, não havia[nem acusação formal nem]provas para a condenação de quem governava o Brasil à época).

Então, que investiguem as acusações – lembrando-se que quem acusa é quem deve oferecer provas – e que, se a culpa for provada, haja punição. Mas eu, enquanto alguém que defende o Estado de Direito e que – mesmo que discorde do voto da maioria e das consequências desse voto – permanece ao lado da Democracia, não posso subscrever a tamanha insanidade!

Gibson