Wednesday, October 14, 2015

Mais uma possível fraude contra os sonhadores desatentos

Gibson da Costa

Como já virou rotina, uma conhecida me pediu para checar a respeito duma suposta instituição de ensino superior internacional que opera nas redes sociais no Brasil. Ela me enviou os detalhes sobre uma oferta que havia sido feita num grupo para professores (onde eu já havia tratado, há algum tempo atrás, sobre esse mesmo problema) de um curso de MESTRADO PROFISSIONAL - vocês podem ver o banner abaixo.



Então a UNIGRENDAL - ou seria a OLWA - é uma universidade estrangeira autorizada a oferecer cursos de Mestrado Profissional a cidadãos brasileiros no Brasil? Vejamos...

1) Comecemos pela UNIGRENDAL:

1.1 - Fazendo uma pesquisa rápida sobre o registro de seus domínios na internet [www.unigrendalcorporate.com ou www.unigrendal.com.br], descobriremos o seguinte:


  • www.unigrendalcorporate.com - foi registrado por uma pessoa chamada DANIEL MACHADO, em 1º de julho de 2013, em nome duma organização supostamente chamada UNIVERSIDADE GRENDAL DO BRASIL - UNIGRENDAL, cujo endereço seria Rua Dutra Rodrigues, 156, São Paulo, SP, CEP: 01105-010. O problema com o endereço de registro é que o mesmo trata-se do endereço duma tal LOJA MAÇÔNICA PHOENIX. Como o registro do domínio não foi feito no Brasil, não temos detalhes sobre pessoa jurídica e, assim, não se pode verificar documentos legais. A questão do endereço, por exemplo, pode tratar-se da utilização indevida do endereço e telefone de alguém só para conseguir o registro do site (que é muito fácil nos E.U.A., onde foi feito).
  • www.unigrendal.com.br - está registrado em nome duma empresária individual, chamada JULIA FARIAS DIAS, CNPJ 13.415.709/0001-08, estabelecida em Porto Alegre, RS, e em atividade desde 2011. Sua atividade econômica primária refere-se a serviços combinados de escritório e apoio administrativo. O domínio foi criado em 3 de setembro de 2012.

1.2 - E, claro, uma busca pelo registro da tal instituição no cadastro do Ministério da Educação (e-MEC) resultou em “Nenhum registro encontrado”!

1.3 - Ambos os websites anunciam que os títulos oferecidos são aceitos em 120 países, e contam com o reconhecimento de:
CHEA- Council for Higher Education Accreditation: uma associação norte-americana que só credencia instituições daquele país. Em sua base de dados online, não há nenhum registro para a Olford Walters University (OLWA) e, obviamente, nenhum para a UNIGRENDAL.

BRITISH COUNCIL: O trabalho do B.C. não envolve o reconhecimento de instituições de educação, especialmente se elas não estão no Reino Unido. A forma mais simples de verificar isso é procurar as informações em seu website ou ligar para seu escritório no Brasil.
ACE- American Council on Education: como era de se esperar, nenhum registro das duas “instituições” em sua base de dados!

ACBSP- Accreditation Council for Business Schools & Programs: nenhum registro para as duas “instituições” em sua base de dados.

CACREP- Council for Accreditation of Counseling & Related Educational Programs: novamente, nenhum registro para as duas “instituições”!

Será que realmente precisaria continuar?...

2) OLWA - Olford Walters University:

2.1 - Como tratei acima, não há nenhum registro para a OLWA naquelas organizações anunciadas nos websites da UNIGRENDAL.

2.2 - A OLWA, cujo domínio online está registrado num endereço no Estado da Lousiana, não conta com nenhum registro ou reconhecimento naquele Estado para oferecer educação superior.

2.3 - Como era de se esperar, a “Southern Association of Colleges and Schools”, a agência acreditadora de universidades e faculdades responsável pelo Estado da Louisiana, não possui registro para a OLWA!

2.4 - O que se encontra na internet sobre a tal instituição são anúncios de venda de diplomas ou denúncias.

3) E, para finalizar, não preciso acrescentar que nenhuma das duas “instituições” possui qualquer registro ou autorização para atuar legalmente no Brasil!

Abram os olhos!


Tuesday, October 13, 2015

Mais um capítulo da "everlasting story" eleitoral brasileira

Como já escrevi algumas vezes, não votei e não teria votado em Dilma Rousseff ou em outro(a) candidato(a) do PT à Presidência. A razão foi/é ideológica. Ademais, no caso da reeleição de Rousseff, foi também ética. A Presidente - como seu antecessor -, contra cuja persona não tinha absolutamente nada em se tratando de seu presente, estava cercada de personagens contra os quais tinha e tenho reservas.



Durante as campanhas, era óbvio que ela mentia aos seus eleitores. Só não enxergavam os acólitos partidários fanáticos. Sua retórica propagandística era uma violência contra a inteligência média dos cidadãos brasileiros. E se era verdade que todos os outros engajavam-se na mesma violência, ela já era a Presidente da República e, como tal, esperava-se que pudesse comportar-se de forma mais respeitosa para com seus eleitores e os cidadãos em geral.



Seu comportamento nas campanhas - assim como a de todos os outros governantes que busca(ra)m a reeleição no passado ou no presente - só reforçou minha convicção de que melhor seria que ou não houvesse reeleição ou que, se houvesse, o candidato primeiro abrisse mão de seu cargo antes de se embrenhar numa nova candidatura. Pense nas vantagens que um Presidente, um Governador ou um Prefeito que busque se reeleger ainda no cargo já tem quando comparado a outros candidatos! Pense no inevitável conflito de interesses!



Seja como for, não desejava que ela se reelegesse, mas como o conseguiu, para mim era o fim daquela história. Honestamente, esperava, e ainda espero, que ela pudesse acertar mais em seu segundo mandato, sendo bem sucedida, já que seu sucesso seria o sucesso dos cidadãos brasileiros.



Mas como você já sabe, aquela história eleitoral ainda não acabou. E não acabou porque seus adversários, que provavelmente não compreendem o sentido do termo “oposição”, não aceitaram sua derrota eleitoral. Não acabou porque seu padrinho político, o ex-Presidente Lula da Silva, sabota seu mandato, já interessado em seu futuro retorno ao poder. E também não acabou porque ela mesma, a própria Dilma Rousseff, não conseguiu deixar de ser apenas uma eterna candidata à Presidência da República.



Ora, não sei o que ocorrerá mais adiante com seu mandato. Sei que um processo de impedimento não será nem um pouco bom para o país - e é isso o que me preocupa. Não estou preocupado com o destino político de Rousseff ou de seu partido (que, há muito, deixou de ser modelo ético para quem quer que seja - se realmente já o foi). Eles pouco me interessam. Mas me interessa a tragédia política trazida com um impedimento para a vida da República. Continuo a acreditar que essa deva ser a última opção.



Olhe só as opções, se ela e, em última instância, seu vice fossem derrubados!... Consegue imaginar?!



O mais trágico nesse melodrama sem fim é o fato de sermos, todos nós, cúmplices e/ou cativos de grupinhos políticos interessados apenas no poder. Sejam grupos do PT, em seu jogo inescrupuloso para permanecer no Planalto. Sejam grupos do PMDB, a piada fisiológica da República, que abandonou seu passado “democrático”. Sejam grupos do PSDB em sua prostituição política incoerente na tentativa de retornar ao Planalto.



Todos aqueles grupos riem de nós cidadãos. Riem da estupidez de seus acólitos que se degladeiam em nome daqueles, sem perceber que são apenas fantoches. Riem dos que trabalham para pagar seus gastos e corrupção. Riem de nós porque, nas próximas eleições, os idiotas neles votarão e os “defenderão” como se fossem salvadores - quando, na verdade, são os “diabos” da democracia.



Quem nos salvará dos Cunhas, Neves, Rousseffs, Silvas e seus apóstolos?



+Gibson

Wednesday, October 7, 2015

O devaneio a-histórico da "pureza" cultural


Em se tratando de cultura, poucas coisas me aborrecem mais do que a conversa entediante sobre “pureza” (isto é, a qualidade de ser sem corrupção, infecção, imperfeição, mixagem etc) que alguns insistem em levantar. Aquele devaneio a-histórico de que haja uma “cultura pura”, uma “língua pura”, um “estilo puro”, etc, é absurdo e idiótico. Não é à toa que mantenha uma relação tão estreita com noções racialistas e de supostas “purezas étnicas” – por exemplo, a ideia de que haja uma “cultura brasileira” pura e original, ou de que alguém deva ter “orgulho de ser brasileiro/sulista/nordestino”!

Aliás, a ideia duma brasilidade “pura” serve de modelo quase perfeito para a demonstração da fraqueza do “argumento” a favor da ideia de pureza cultural/étnica. Lembro-me das muitas vezes que vi/assisti/ouvi/li (especificamente nos E.U.A., no Reino Unido e na Dinamarca), anúncios turísticos vendendo o Brasil como a terra da praia, do samba, da cerveja, e do futebol – isso para não incluir aqui o apelo sexual feito por muitos daqueles anúncios. Refletindo os esteriótipos repetidos no dia a dia brasileiro, aqueles anúncios vendem ao público internacional – especialmente na América do Norte e na Europa –, mas também o fazem no Brasil a brasileiros, a imagem dum “povo” que aprecia e consome aqueles “presentes” como se não houvesse um amanhã!... O problema é que há milhões de brasileiros que não conhecem o mar – o que implica que não vão à praia (banhada pelo Atlântico) –, e inúmeros outros que não gostam de samba, de cerveja ou de futebol!

Desde a infância, os brasileiros aprendem, na escola e fora dela, o mito sobre uma formação étnica tripartite: os “brasileiros” (O que é isso, a propósito? Um pedigree?) adviriam do mix de três grupos/raças – a saber os [amer]índios, os portugueses e os africanos! [Mesmo com todas as reformas curriculares já feitas, isso ainda permanece!] Esse povo falaria apenas português. Professaria e praticaria apenas as fés cristã (e apenas em suas formas ocidentais), candomblecista e umbandista... Esqueçam que mais de duzentas línguas são faladas no Brasil, por brasileiros – e que muitos brasileiros, no Brasil, não falam português. Esqueçam que muitos brasileiros não professam ou praticam aquelas expressões religiosas majoritárias. Esqueçam os muitos brasileiros que não portam um sobrenome português ou luso-brasileiro, mas que têm apenas o Brasil como lar, até porque é o único país que conhecem!... O que são eles, afinal? Marcianos caminhando sobre a “Terra do Vale Tudo”?

...Essa é a imbecilidade da etiquetagem de seres humanos em categorias artificiais – um dos resultados da “a-historicidade” (porque trata-se duma negação da experiência histórica humana) de noções de “pureza” cultural/ética.

Essas noções de “pureza” têm uma ligação com muitas dos comentários que ouço, por exemplo, no que concerne à música, à literatura e à própria língua. Os comentários que engrandecem a MPB, o samba, o forró, etc, quando comparados a outras formas musicais – como o rock, o pop, o funk, a EDM etc –, como se esses fossem os “originais representantes” da brasilidade ou, pelo menos, da musicalidade brasileira, se sustentam sobre o equívoco de que a “cultura” seja imutável, permanente. A ideia de que se está desvirtuando a arte literária quando, por exemplo, uma obra canônica tem sua linguagem “atualizada” para um público jovem assenta-se sobre uma compreensão equivocada tanta da historicidade linguística quanto da “natureza” da arte literária (e já tratei disso aqui). E todos esses equívocos baseiam-se numa perspectiva de que a humanidade e suas criações – sim, a “cultura” é uma criação humana, ela não “caiu do céu”! – possam ser congelados ou petrificados no tempo e no espaço.

O mais interessante é observar que os defensores dessas ideias utilizam os meios digitais contemporâneos – criações de nosso tempo – para defender um retorno à pureza mítica. Quanta incoerência!… Que sejamos salvos dessa obsessão por “pureza” cultural/étnica!

+Gibson

Saturday, October 3, 2015

Uma breve nota sobre a questão da posse e porte de armas




Nunca tive muita paciência para com os “mentecaptos voluntários” – isto é, aqueles indivíduos que, mesmo podendo se informar, escolhem não o fazer, sejam quais forem suas razões. Quando se trata da discussão de temas “políticos” – como também de temas religiosos –, não faltarão “mentecaptos voluntários” advogando anátemas contra aqueles de quem discordam. Isso se evidencia ainda mais hoje, especialmente no pseudo-”conservadorismo” da moda que tomou as redes sociais digitais. [Os mentecaptos voluntários que se autoidentificam como “conservadores” parecem se ver como sinônimo da sofisticação intelectual – semelhantemente aos “esquerdistas” que tanto criticam, e que descrevem quase que como uma entidade única e abstrata… mas prefiro deixar meus comentários sarcásticos sobre isso para outra hora!]

Um desses “mentecaptos voluntários” brasileiros publicou comentários infelizes sobre o recente assassinato de dois profissionais da imprensa por seu antigo colega, e os tiroteios desta semana, ambos nos E.U.A., fazendo uma ligação entre a cobertura do caso e a discussão sobre o controle de armas para uso civil naquele país, e sinonimizando aquele contexto ao do Brasil. Seus leitores que também sejam voluntariamente mentecaptos devem ter concordado com sua teoria conspiratória... É uma pena! A retórica antidesarmamentista desses incoerentes pseudolibertários é uma piada de mau gosto, e um verdadeiro espetáculo de ignorância histórica! [Mas, calma! Ainda não estou advogando anátemas contra eles, só um pouco de sarcasmo!]

Filosófica, teológica e politicamente, sou contrário à ideia de qualquer poder externo ditar regras para minha vida pessoal. Não concordo com leis que controlem ou punam alguém por simplesmente externar um pensamento – por mais ofensivo que seja. Não concordo com leis que ditem regras para o comportamento privado dos cidadãos civilmente capazes, incluindo aquelas que ditam como pais devam criar ou educar seus filhos. Sou contrário ao uso e comércio de certos narcóticos e ao aborto, mas, ao menos parcialmente, penso que o que as pessoas fazem com seus corpos é problema seu – desde que eu, enquanto cidadão e pagador de impostos, não seja forçado a cobrir os custos por suas escolhas (na verdade, a discussão desses temas é muito mais complexa e não envolve apenas a questão do que as pessoas fazem a si mesmas, mas também deixarei esse tema para depois!). Apesar disso, acredito que a segurança do cidadão deva ser uma prerrogativa do Estado. Em meu ideário político, a propósito, a função básica do Estado – e “básica”, aqui, implica que ele pode ter mais funções – é justamente proteger e garantir a vida, a liberdade e o patrimônio do cidadão. [Esses três elementos são o que John Locke chamou de “propriedade”, que constituía um conceito muito mais amplo do que a “propriedade privada” proclamada por esses pseudolibertários brasileiros!]

Em se tratando do porte de armas no Brasil, o Estatuto do Desarmamento não “retirou um direito básico do cidadão” brasileiro. Portar armas nunca foi um direito básico do cidadão brasileiro. Desde 1603, pelo menos, havia leis que controlavam o porte de armas por “civis” aplicáveis à América portuguesa (as terras hoje integrantes da República Federativa do Brasil). As ordenações filipinas – conjunto onde se encontravam aquelas leis – estipulavam os detalhes sobre que tipos de armas podiam ser utilizadas por quem, quando, como, e onde. A legislação, obviamente, foi sendo alterada à medida da mudança de contextos.

Aqueles mentecaptos mais informados sobre a história do Direito nacional fazem, por sua vez, um tremendo esforço para justificar sua apologia ao porte de armas por civis através do apelo, na melhor das hipóteses equivocado, a tradições filosóficas e jurídicas estranhas ao contexto brasileiro. Sua base sempre será a tradição libertária americana, que defende uma noção de defesa congelada no contexto da América do Norte Britânica do século XVIII. Talvez eles devessem estudar mais as histórias da Inglaterra e dos Estados Unidos da América antes de publicarem e falarem as besteiras que espalham por aí!

Mas acho que, como um professor de História dos E.U.A. posso ajudá-los, um pouco, a se situarem. Vejamos...

A segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América – que os “filósofos políticos” “pró-armas” brasileiros, consciente ou inconscientemente, tomam como base para sua argumentação (já que seus argumentos são apenas uma caricatura daqueles dos “conservadores” americanos) –, de 1789, assevera o seguinte, num texto hoje estilisticamente confuso:


Uma milícia bem regulada, sendo necessária à segurança dum Estado livre, o direito do povo de manter e portar armas, não será infringido.


Desde o próprio século XVIII, essa Emenda tem sido interpretada de duas formas pelos tribunais, cidadãos e políticos americanos: alguns defendem que ela garanta ao cidadão comum o direito inalienável de portar armas (a interpretação que os “pró-armas” brasileiros abraçam); outros defendem que ela apenas garante a cada Estado o direito de manter sua própria “milícia”.

Obviamente, não vale a pena focar as nuanças políticas da discussão nos E.U.A., já que os “pró-armas” do Brasil não a compreenderiam de qualquer forma – não porque não tenham a capacidade intelectual para tal, mas porque sua disposição não é de construir uma compreensão da questão, mas sim a de opor-se ao que pensam ser uma “bandeira esquerdista” (o controle da posse e porte de armas).

Eles não compreendem que, historicamente, aquela minúscula Emenda carrega uma tradição milenar britânica – testificada já pelas coleções jurídicas de William Blackstone – de os cidadãos (homens) terem a obrigação de ser parte de “milícias” para a defesa do “Direito”. Sua obrigação incluía o dever de fornecerem armas. Isso, obviamente, numa época na qual não existiam forças de segurança (polícia, forças armadas etc) profissionais.

No caso específico dos Estados Unidos, após a Revolução, havia a necessidade de todos os homens participarem duma “milícia bem regulada”, e como essas milícias ainda não eram forças profissionais, e como os Estados membros da União não tinham os recursos necessários para a manutenção de tais forças, o direito de manter e portar armas foi garantido. Mas esse era um direito atrelado a uma obrigação: “a segurança dum Estado livre”.

Percebeu?!

Se analisássemos as razões apontadas pelos autores liberais clássicos ingleses e americanos para a existência do Estado – o que não farei aqui –, veríamos que sua existência é justificada pela necessidade da proteção daqueles três elementos da “propriedade” do cidadão apontados por John Locke (a vida, a liberdade e o patrimônio). [Lembre-se que quando Locke escrevia sobre “propriedade” não era exclusivamente a bens (patrimônio) que ele se referia, era a esses três elementos.] Pare eles, a proteção desses era uma prerrogativa do Estado. É dessa perspectiva que emerge o direito de manter e portar armas na Constituição dos Estados Unidos.

Por que esse direito não é abolido na Constituição americana? Por inúmeras razões. Uma delas sendo porque a tradição constitucional americana geralmente não abole direitos – e como o direito à manutenção e porte de armas é parte integrante da Carta de Direitos, sua abolição é mais complexa e complicada.

No caso do Brasil atual, entretanto, há instituições de Direito que têm a função de proteger a “propriedade” (no sentido lockeano) do cidadão. O fato de haver corrupção e ilegalidades nessas instituições não pode ser justificativa aceitável para que retiremos delas a função de proteção e a passemos a cidadãos miliciados. Ademais, a posse e porte de armas nunca foi um direito constitucional básico dos cidadãos brasileiros!

Então, caros brasileiros “pró-armas”, mudem seus argumentos!

+Gibson

Monday, September 28, 2015

Trabalho na limpeza como punição na escola?


O caso da lei municipal que impõe a limpeza feita por estudantes como punição por seu “mau comportamento”, numa cidade brasileira, revela muito do preconceito social entranhado na sociedade. Quando a escola utiliza o trabalho na limpeza como forma de punição, o que se está ensinando aos pequenos e jovens? Eu digo: que aquelas pessoas que trabalham na limpeza de nossas escolas, ruas, prédios, casas etc, são, de alguma forma, menores, menos importantes, e que estão sendo “punidos” por alguma razão cósmica ou mundana. E alguém chama isso de “reeducação”, de “pedagogia”? Eu chamo de “reeducação” da vergonha, de pedagogia da discriminação!

+Gibson

Friday, September 25, 2015

E o meu boicote às normas editoriais de publicações acadêmicas e instituições universitárias continua…

É interessantíssimo que se critique tanto, no meio universitário brasileiro, os interesses das grandes corporações multinacionais e, no entanto, todas as publicações acadêmicas e a maioria das instituições às quais estão vinculadas forcem autores a adotar os formatos proprietários daquelas mesmas corporações. Por que exigem que nossos textos sejam formatados com fontes proprietárias da Microsoft (Arial, Times New Roman, etc), por exemplo, e que os mesmos sejam salvos em formatos também proprietários (.doc, .docx etc)?… Não sabem que há formatos livres?… E como as humanidades são “campos de guerra ideológica”, levo a disputa a sério, defendendo o meu direito de não utilizar fontes e formatos proprietários no mundo acadêmico. Até que mudem essas regras, continuarei a NUNCA submeter textos meus a publicação alguma que as imponha. Sempre foi assim e, enquanto eu tiver autorrespeito, continuará a ser assim…

+Gibson

Sunday, September 6, 2015

Mais uma vez, a estupidez digital...


Não serei diplomático!... Devo confessar que a idiotice digital me enerva a ponto de me fazer perder a elegância com a qual tento lidar com a estupidez alheia. É interessante quantas pessoas, repentinamente, se tornaram defensoras de migrantes em busca de refúgio no outro lado do mundo, enquanto, em seu próprio país, continuam a fazer comentários não muito hospitaleiros sobre os “migrantes” que chegam (venham esses da China, do Haiti, ou do “Nordeste”). Mais interessantes ainda são os comentários daqueles que falam tanto em tolerância e respeito – para com “negros”, “mulheres”, “gays”, “transexuais” etc –, condenando a dita “direita” brasileira, mas que partilham alegremente postagens da “direita” d'alhures que vocaliza uma discriminação desinformada sobre a religião muçulmana como forma de barrar a aceitação de migrantes na Europa!... Eu realmente tenho cada vez menos paciência com a estupidez em plena “era da informação”!


Tuesday, August 25, 2015

Vargas, o grande democrata!



Gibson da Costa


Hoje, 25 de agosto de 2015, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal nos ensina a história que desconhecíamos sobre o vulto mais piedosamente democrático que já pisou o solo brasileiro – ao que parece, inventor da “cidadania” –, Getúlio Vargas.

Esqueçam as intrigas mentirosas levantadas a seu respeito pela imprensa golpista de sua época e que perduram até hoje, retratando a nobre alma do finado “estadista” como ditatorial. Esqueçam o Estado Novo. Para os senadores, sindicalistas e “intelectuais” no Senado Federal, Vargas foi um herói. Lembrem-se do trabalhismo que inaugurou. Lembrem-se da Petrobrás. Getúlio foi, de fato, o “padrinho” dos “trabalhadores” brasileiros.

Essa é, ao menos, a narrativa das homenagens prestadas na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal hoje, e em todo o Congresso Nacional ao longo desta semana, à memória do autoimolado trabalhista.

Quanta incoerência para uma época na qual virou refrão popular adjetivações que fazem referências a autoritarismo, golpismo e ditadura! Quanta incoerência homenagear o líder dum regime violento e ditatorial, como se houvera sido um arcanjo democrático, num órgão chamado de “Comissão de Direitos Humanos”!

Onde estão os tais “valores democráticos” defendidos pelos grupos políticos que se apresentam como defensores dos mais fracos e oprimidos? Em nome duma ideologia qualquer, as “vítimas” do passado dão lugar ao seu “opressor” mais uma vez – cuja memória é adulada como a dum sacrossanto herói nacional.

O interessante é que os bajuladores do ditador são os mesmos que exigem mudanças de nomes de ruas que “homenageiam” os últimos ditadores da República!

Quanta incoerência!

O utilitarismo filosófico de quinta categoria dos políticos e “intelectuais” tupiniquins me enoja!


Sunday, August 16, 2015

Das manifestações de hoje


Gibson da Costa


Há dois espaços hegemônicos para a manifestação de insatisfação política no Brasil pós-06/2013: as “redes sociais” e as ruas – as urnas não, já que parecem ter se tornado apenas um depósito de obrigações, levando em consideração que a maioria dos candidatos é conhecida por não cumprir promessas e grande parte dos eleitores como compradores das mesmas. [Taí, queria ver uma grande manifestação de protesto contra os políticos profissionais com uma greve de eleitores no dia das eleições! Isso, sim, seria uma manifestação que gostaria de ver!]

O que há de comum entre as “redes sociais” e as ruas é que, frequentemente, são o palco da intolerância ao inconformismo alheio. Se quiser confirmar o que digo, você só precisa externar uma ideia oposta a quem lhe lê ou ouve e prontamente será (des)qualificado com adjetivos que carregam, em seu bojo, o ódio de seu adversário ao inconformismo de ideias. Conheço isso de perto e, talvez, melhor do que qualquer um, porque já fui alvo de ataques verbais dos dois[?] grandes lados das manifestações do Brasil neste período pós-06/2013 até hoje. [É bom até já ir me preparando para ler certas mensagens que receberei como resposta a este texto!]

O que me fascina na prática de todos os manifestantes é seu apelo àquele deplorável costume antiquíssimo, já dominante desde, pelo menos, o cenário político dos antigos romanos: não basta atacar as ideias de seus adversários, você tem de atacá-los pessoalmente, tem de desqualificá-los enquanto indivíduos. O debate de ideias perde para o devaneio emotivo, já que se entregar à semi-irracionalidade das emoções – e “semi-” porque as emoções nem sempre são irracionais – é mais fácil que se engajar num diálogo. Assim, é mais fácil adjetivar pejorativamente adversários do que apontar o que pensamos estar errado em suas ideias ou ações.

Todos os grupos ativistas, infelizmente, fazem isso. Os anti-Rousseff fazem isso com os pró-Rousseff. Os pró-Rousseff fazem isso com os anti-Rousseff. O movimento gay faz isso com a bancada religiosa no Congresso. A bancada religiosa no Congresso faz isso com o movimento gay. Os evangélicos fazem isso com os católicos. Os católicos fazem isso com os evangélicos… E o deplorável monólogo desqualificante continua ad infinitum!

Esse é um erro coletivo do qual todos somos, até certo ponto, cúmplices. Mesmo que inconscientemente, se aceitamos essa prática ou dela participamos, contribuímos com o caos do desentendimento.

Como já escrevi e disse várias vezes, discordo do alvoroço pró-impeachment até que haja (se houver) provas contra a Presidente da República. Sou contrário a inúmeras das ideias defendidas pelos manifestantes brasileiros hoje. Desconfio das intenções de alguns dos que se autoproclamam líderes dos movimentos de hoje no Brasil – alguns deles, que conheço pessoalmente, provavelmente têm intenções eleitorais para o ano que vem e se aproveitam da situação para se autopromover, ludibriando alguns de seus seguidores. Isso, entretanto, não desqualifica o fato de que muitos brasileiros manifestaram sua insatisfação com o estado das coisas.

O fato de manifestantes terem um background socioeconômico mais elevado não os desqualifica como cidadãos ou eleitores. O fato de cidadãos da dita “classe média” baterem panelas ou carregarem faixas, como protesto, não pode ser racionalmente visto como sinônimo de “golpismo” ou “fascismo”, como querem os partidários do Governo. Mesmo a infelicidade de estarem defendendo ideias com as quais não concordo não os desqualifica como cidadãos. Não tenho absolutamente nada contra esses cidadãos – muito pelo contrário!

Como escrevi acima, e em outras ocasiões, não confio em seus líderes, nem em algumas das ideias que defendem. Penso que o fanatismo de muitos deles não difere em nada daquele dos governistas que atacam opositores, como eu, com adjetivos como “reacionário” e “fascista” – que, infelizmente, enchem minha caixa de e-mail todos os dias. Mas, fico feliz em ver pessoas se manifestarem – especialmente se não houver a desordem e o desrespeito ao patrimônio público que marcaram as manifestações do verão de 2013.

Não sairia eu em manifestações como essas por uma série de razões ideológicas. A mais importante delas concerne ao fato de eu ser contrário ao movimento pró-impeachment que, no Brasil, tem sido usado – desde o período Collor – como uma arma de capricho político das oposições que renunciam a única arma que deveria ser utilizada na política democrática: o debate de ideias. Essa é a principal razão pela qual não tomaria parte em tais movimentos – prefiro não ter minha imagem associada a movimentos que defendem ideias das quais não partilho, mesmo que, em se tratando do manifestante comum, aplauda sua participação cidadã.

Como um liberal democrata, eleitor da oposição atual, crítico do Governo Rousseff, que acredita na obrigação de o mesmo (e de qualquer outro) ser fiscalmente responsável e estar limitado pela lei em seu modus operandus, já fui acusado por ativistas pró-Rousseffde ser um “reacionário fascista”!

Contudo, por ser um liberal democrata, comprometido com o Estado de Direito e com a democracia liberal; por acreditar no processo justo e na inocência até que se prove a culpa; e, consequentemente, me opor a um clamor por impeachment da Presidente antecipado ao justo processo; sou qualificado pelos ativistas anti-Rousseff como “comunista” (você teria de entender o peso semântico do termo para esses ativistas!), “aliado dos corruptos”, ou – como um dos líderes do movimento em Recife escreveu-me recentemente, após me manifestar contrariamente ao movimento “impeachmentista” – como alguém comprometido com o projeto de permanência da “esquerda” no poder!

E aí a política se resume ao lançamento de desqualificativos ao “outro lado”. E, no fim. Todos perdem!

Para finalizar, é importante que eu deixe algo muito claro. Não acredito no “Brasil”. Não amo o “Brasil”. Não espero nada do “Brasil”. E isso porque o “Brasil” – como essa entidade etérea presente em refrões e faixas – não existe! O “Brasil” são os brasileiros; e neles, sim, acredito; eles, sim, amo; deles, sim, espero muito.

E seria muito legal e recompensador descobrir, um dia, que os brasileiros aprenderam a dialogar, e não simplesmente a atirar adjetivos desqualificadores uns contra os outros!


Wednesday, August 12, 2015

Parlamentares federais e estaduais eleitos no Brasil, em 2014, agrupados por partido político

Inclui Deputados Federais, Estaduais, Distritais e Senadores.


Fonte: Observatório de Elites Políticas e Sociais Brasileiras - UFPR








TABELA



Democratas 70
Partido Comunista do Brasil 35
Partido da Mobilizacao Nacional 10
Partido da Republica 81
Partido da Social Democracia Brasileira 155
Partido Democratico Trabalhista 83
Partido do Movimento Democratico Brasileiro 213
Partido dos Trabalhadores 180
Partido Ecologico Nacional 17
Partido Humanista Da Solidariedade 16
Partido Patria Livre 4
Partido Popular Socialista 32
Partido Progressista 88
Partido Renovador Trabalhista Brasileiro 12
Partido Republicano Brasileiro 53
Partido Republicano da Ordem Social 39
Partido Republicano Progressista 15
Partido Social Cristao 46
Partido Social Democrata Cristao 11
Partido Social Democratico 114
Partido Social Liberal 18
Partido Socialismo e Liberdade 17
Partido Socialista Brasileiro 99
Partido Trabalhista Brasileiro 67
Partido Trabalhista Cristao 13
Partido Trabalhista do Brasil 15
Partido Trabalhista Nacional 23
Partido Verde 35
Solidariedade 38