Gibson da Costa
Em 2013, incendiaram as ruas, em protestos contra a corrupção e o descaso. Em 2014, votaram absolutamente nos mesmos grupos contra os quais protestaram – aparentemente, esqueceram-se contra quem protestaram (quem controlava o governo federal e cada um dos governos estaduais)!
Os mesmos atores do capitalismo estatal brasileiro que apoiaram todos os golpes e ditaduras brasileiras no século XX, que participaram da eleição do “espetáculo Collor de Mello”, da criação do “milagre FHC”, do “fenômeno Lula da Silva”, do governo Dilma Rousseff, e que posteriormente a derrubaram e puseram no poder o fantoche Michel Temer atuaram ontem na Câmara dos Deputados. E alguém ainda tinha dúvida de que seria assim?
Acaso se esquecem de que o atual Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi – entre 2012 e 2016 – presidente do conselho de administração do Grupo J&F, tendo sido presidente do Banco Original (pertencente ao mesmo grupo) em 2016?... E que o mesmo fora presidente do Banco Central durante os dois mandatos de Lula da Silva?... As “reformas” que promove são expressão da vontade de quem, afinal? Acaso da dos eleitores de Dilma Rousseff, que foi derrubada por seu vice em aliança com todas as J&Fs e Odebrechts do Brasil, e dos seguidores do pensamento da moda (a tal Escola Austríaca de Economia)?...
Venceu o partido dos sanguessugas da República e sua religião atual do “menos Estado e mais empresas” – as mesmas empresas que são mantidas pelo mesmo Estado. E venceram porque o Estado é seu brinquedo e seu troféu!
Amanhã estará no trono do Planalto outro investigado pela Justiça, que se venderá como inocente e como “salvador da pátria”. E seus lacaios – eleitores que vivem sob a sombra da filosofia do “rouba mas faz” e legisladores(?) que sabem sugar as veias do Estado em favor de “quem paga mais” – o laudarão como o “reformador” necessário!
Ontem se votava apenas a permissão para o prosseguimento duma investigação. Por trás, contudo, estava em jogo a posição dos grupos econômicos e políticos que controlam a grande República da Pizza, a gigantesca piada geopolítica chamada Brasil. O que ocorreu era mais do que esperado: não passava, afinal, do reflexo do próprio rosto dos eleitores brasileiros.
Nada mudou. Tudo continua como sempre foi. O Brasil é o mesmo de sempre.
É, foi e sempre será assim... Pelo menos até que os cidadãos compreendam que não há “salvadores da pátria”, não há inocentes no poder e que as únicas “vítimas” de perseguição e escárnio são eles mesmos!
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