Sunday, June 7, 2015

Para proteger as famílias brasileiras, diga não ao PL-6583/2013!!!


Poucas coisas ainda conseguem me chocar quando acompanho as notícias políticas do Brasil e o fanatismo “partidarista” de grande parcela da sociedade brasileira. Um dos exemplos mais recentes refere-se ao chamado “Estatuto da Família” e a seu apoio por parte de supostos defensores do “Estado mínimo”. A insensatez, incoerência e ignorância teórica desses supostos adeptos das tradições minimalistas (conservadora, liberal ou liberal conservadora no Brasil) é um reflexo do vazio “crítico” – e utilizo “crítico” aqui num senso kantista – do discurso político brasileiro. Assim, aqueles que normalmente reclamam da interferência estatal na vida do cidadão, quando lhes convém, defendem um “Estatuto”, que define o que é uma família, que estabelece “conselhos da família” etc – ou seja, que entrega ao Estado ainda mais poderes no que concerne à vida privada... E o que realmente fazem é atolar-se num lamaçal de incoerências filosóficas!

Não tenho muito tempo para escrever hoje, mas permitam-me esclarecer brevemente porque penso o que penso sobre o tema.

O artigo 2º do PL-6583/2013 (o tal Estatuto da Família), de autoria do Deputado Federal Anderson Ferreira, de Pernambuco, define “entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

Para o autor do projeto, “a família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade, cabendo ao Poder Público enfrentar essa realidade, diante dos novos desafios vivenciados pelas famílias brasileiras.”

Em sua justificativa para o projeto, Anderson Ferreira só não cita o óbvio: a verdadeira razão para uma definição do que seja uma entidade familiar é simplesmente excluir as famílias formadas por casais do mesmo sexo. Em sua “cruzada” em favor duma definição “heterossexualizante” da constituição familiar (já que, em sua definição, uma família pode ser formada por apenas um dos genitores e seus filhos – uma constituição, per se, já não mais “tradicional”), o autor acaba por não reconhecer que famílias “tradicionais” podem também ser formadas apenas por irmãos e/ou irmãs (casos já reconhecidos, no Ocidente, desde, pelo menos, o Direito Romano).

A própria definição e o caminho político desse projeto refletem uma ausência de bom senso, tanto por parte dos que o defendem com suposta base em argumentos políticos, quanto por aqueles que o fazem com suposta base em argumentos teológicos (sobre os quais tratarei posteriormente).

Pensemos, por exemplo, naquilo que Adam Smith chamou de sistema de “liberdade natural”. Quando o Estado funciona da forma certa, deve facilitar as interações entre pessoas livres, respeitando e protegendo os direitos de cada indivíduo, independentemente de suas características individuais.

Nossas sociedades passaram, ao longo dos séculos, por transformações concernentes à forma como encaramos certos comportamentos sociais. As leis, como reflexos dessas transformações, também sofreram alterações. Assim, enquanto, há algum tempo, o casamento era visto como indissolúvel – e casais que já não mantinham um relacionamento propriamente conjugal eram forçados a desempenharem o papel social do “casal”, da “boa família” –, hoje há a possibilidade de casais desfazerem seus laços legais e se engajarem em outros relacionamentos. O Estado tem protegido o direito de o indivíduo desfazer suas ligações conjugais com outra parte, mesmo que isso acarrete um custo financeiro a uma das/ambas as partes.

O Estado também reconhece configurações familiares de facto (isto é, aquelas não formalmente jurídicas). De fato, a própria definição de família dada pelo Estatuto em questão o faz, quando diz: “[...] união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável[...]”. Ou seja, o projeto de lei defendido por supostos “tradicionalistas” reconhece outras formas de organização familiar – como uma família constituída por uma mãe solteira, por exemplo. Mas não o faz com um casal formado especialmente por dois homens, porque isso implicaria, para seu autor e defensores, uma “autorização” para a adoção por parte de indivíduos ou casais gays.

O cerne da questão não seria, então, os interesses da sociedade enquanto aglomerado político – que incluiriam, por exemplo, a proteção à propriedade, às liberdades individuais e ao direito de cidadãos livres se engajarem em contratos sociais –, mas, sim, os interesses duma mentalidade moral incoerente.

Que coerência pode haver em pessoas que, em sua visão teológica, são contrários à liderança eclesiástica feminina, mas, em sua vida política, apoiam para a Presidência da República uma mulher? Você consegue acreditar na seriedade/sinceridade deles? Que coerência pode haver quando um grupo é contrário à intervenção estatal na vida econômica, por exemplo, mas é favorável à intervenção estatal na definição das relações humanas para fins de proteção jurídica?...

Esses são apenas alguns dos problemas relacionados a esse tal “Estatuto da Família”. Infelizmente, não tenho tempo para escrever sobre todos os aspectos nos quais tenho pensado. Basta-me enfatizar que sou contrário a essa lei que, maquiando-se de protetora das famílias, presta-se apenas à subtração de proteção legal a famílias específicas!

VOCÊ QUER PROTEGER AS FAMÍLIAS BRASILEIRAS? ENTÃO, DIGA NÃO AO PL-6583/2013!!!

+Gibson

Sunday, April 19, 2015

A imprensa como fonte de "verdade"?... Só se for com ceticismo crítico!


Minha atual pesquisa sobre como a imigração – legal e paralegal – tem sido noticiada na imprensa duma cidade específica dos EUA nas últimas três décadas ensinou-me muito sobre como as pessoas encaram o papel dos meios de comunicação de massa de forma confusa. A descrição do “outro”, como o “alienígena” que vem atacar um estilo de vida e consumir recursos, parece conflitar com relatos que carregam um profundo senso humanitário no que concerne àqueles que estão distantes... Ler as notícias e as reações dos leitores, através de suas correspondências impressas nesses jornais, é uma viagem à complexidade da mente humana e do papel desempenhado pela imprensa em “sociedades democráticas”.

Para mim, enquanto a liberdade na divulgação de notícias e de opiniões é essencial à democracia – independentemente do quanto eu discorde da validade de seu conteúdo e de sua interpretação –, aquilo que é produzido pelos meios de informação é social-político-culturalmente condicionado. Assim, trato as fontes jornalísticas com certo ceticismo investigativo, pensando ser indispensável ir além daquilo que foi divulgado, se quiser alcançar um retrato mais amplo do que foi narrado (apesar de, com isso, não querer insinuar, em absoluto, que seja adepto duma teoria da conspiração da sociedade!).

A confusão, para mim, emerge quando penso que eu, sendo um defensor da “liberdade de imprensa”, encaro os noticiários com ceticismo, enquanto outros, que se apresentam como críticos daquela “liberdade”, abraçam qualquer notícia que seja favorável às suas plataformas ou representantes políticos como verdade inquestionável!

Meu ceticismo, a propósito, faz-me questionar a própria noção de “liberdade de imprensa” que, frequentemente, defendo com tanto afinco. Afinal, eu – talvez mais que qualquer outro – sei que não há liberdade plena nas redações. A “liberdade” é moldada pela cultura profissional, pelos interesses corporativos e pelos conflitos entre os atores. Assim, a “notícia” deve ser encarada com criticidade. Não quero dizer, com isso, que devamos pensar que os meios de comunicação em massa produzam mentira; mas devemos estar cientes que seus relatos – sejam eles quais forem – são produtos condicionados pelos contextos nos quais estão inseridos.

Assim, fujo dos relatos supostamente factuais e definitivos como um bom haredi fugiria de carne suína!... Como em tudo em minha vida, leio as notícias sobre o que quer que seja com olhos céticos!

+Gibson

Sunday, April 12, 2015

Democracia, Liberdade e Idiotices: Mais uma vez, o melodrama pós-eleitoral brasileiro...


Governantes e seus governos não são “amigos” dos “governados”. Aliás, “governo” e “governados” já têm sua existência baseada numa normalíssima oposição de interesses. É só olhar para a história da relação entre governados e governantes em qualquer democracia: os governados sempre emitirão críticas pesadas àqueles que os governam, pois os segundos explicitam interesses opostos aos dos primeiros – por mais “bem-intencionados” que sejam ou queiram parecer.

Obviamente, há exceções à emissão de críticas aos governantes: trata-se das realidades das não-democracias e/ou das antidemocracias. Mas não é sobre essas realidades que penso agora.

Penso, agora, sobre a patética novela pós-eleitoral brasileira, que tem demonstrado ser uma comédia de muito mau gosto – em todos os aspectos. E essa novela tem aspectos bizarros para alguém que, como eu, tenha mais o que fazer com seu tempo. É uma novela onde não há heróis nem vítimas – só idiotas (no sentido dado ao termo pelos antigos latinófonos).

Um dos grupos de personagens dessa novela é formado pelos que não sabem “perder”. Sem argumentos sólidos, e sem base evidencial, exigem a deposição da Presidente da República, como se tal evento – se fosse justo e legal, o que não considero que (ainda) seja – não trouxesse consequências traumáticas para a vida institucional, política e econômica do país. Esse grupo é formado por subgrupos, cada qual com demandas distintas – algumas das quais têm muito mais a ver com alguma patologia psicótica do que com democracia!

Um outro grupo de personagens, os que detêm mais prestígio sociocultural, é formado pelos “defensores” da Presidente da República – e aí incluem-se desde os defensores condicionais da Presidente (i.e., os defensores racionais da instituição democrática do voto), até os militantes partidários que tendem a defender argumentos menos sofisticados (sim, os que preferem a retórica do “rico versus pobre”, “branco versus negro” etc).

Há, obviamente, a personagem principal dessa comédia melodramática: a própria Presidente da República – pivô da “guerra cultural” que aqueles diferentes grupos conseguiram tirar das cartilhas ideológicas e materializar no mundo real.

Como já escrevi tantas vezes antes, ainda não vejo razões legais para que ela seja impedida/deposta. Ainda não se apresentaram evidências nem provas de que tenha cometido algum crime que justifique tal ação. Ela foi eleita através dum processo democrático, e a democracia requer que a decisão da maioria seja legalmente respeitada.

Reconhecer isso, contudo, não me impede de ver a responsabilidade que ela – a Presidente – tem diante do que acontece em sua administração. Não me impede, também, de ver a sujeira das táticas eleitorais que levaram-na à reeleição. Mas isso não é suficiente para sair por aí exigindo seu impedimento/deposição. Até porque, se pensarmos a respeito, quem ocuparia seu lugar? Não seria exatamente quem já está no governo? (Algo que os manifestantes do “Fora Dilma” aparentemente não se dão conta!)

A idiotice de todos esses grupos de personagens – a Presidente e seu governo, seus apoiadores e os defensores do “fora!” – torna-se uma grande distração para o que deveriam estar fazendo.

No caso dos idiotas apoiadores do governo, como eleitores que puseram no poder o governo do dia, esses deveriam ser os primeiros a exigir a investigação dos envolvidos nas denúncias de corrupção e a punição dos culpados. Mas, em vez disso, saem às ruas para defendê-los, como se fossem perseguidos políticos. Elevam o governo petista ao altar heroico das entidades sacras e, quando há uma nova acusação por parte da Justiça ou Polícia Federal a um membro do partido ou do governo, perdem-se em argumentações infantis. Agem como se o governo estivesse a seu favor – tolamente desconsiderando a oposição à qual me referi anteriormente.

No caso dos idiotas pró-impedimento, não precisam se esforçar muito para virar piada para qualquer um que se dê ao trabalho de refletir. Muitos apresentam-se como “conservadores”, esquecendo que a tradição conservadora há muito é democrática. Muitos de seus argumentos irresponsáveis são a principal razão para que sejam – talvez erroneamente, no caso da grande maioria deles – classificados como “fascistas” pelos demais. Certos ou errados, conservadores ou fascistas, a retórica dos membros desses diferentes grupos me causa um imenso mal-estar – eles fazem com que minha visão liberal democrata de mundo se sinta extremamente ameaçada!

O que parece haver em comum entre os apoiadores do governo e os apoiadores do impedimento é sintomático da cultura política brasileira: uma forma extremada da teoria da conspiração da sociedade, da era da Guerra Fria, que serve como um alicerce sobre o qual erigem sua retórica política. Os anos passam, as circunstâncias mudam, mas a vida política brasileira continua aprisionada ao imaginário de meados do século XX.

Eu, que tenho mais o que fazer com meu tempo e minha vida, sou um adepto da Democracia Liberal, da Constituição, das Liberdades Civis, da Legalidade; logo, não me junto a quem desafia esses alicerces de meu credo político. Não sou partidário nem eleitor do governo, e por isso estou livre para criticá-lo – e se fosse partidário e eleitor do mesmo, o criticaria ainda mais. Não tenho heróis ou heroínas políticos, assim, fui, sou e espero continuar a ser implacável em minha oposição a todos aqueles que se aproveitam do “povo” para proveito próprio, estejam eles na “situação” ou na “oposição”.

Vida longa à democracia e à liberdade – mesmo que seja a sua ou minha liberdade para dizer idiotices!

+Gibson

Saturday, March 21, 2015

Pela diversidade e multiplicidade humanas!


Nunca tive muita paciência para as ditas “amizades” virtuais – i.e., aquelas que ocorrem apenas nas “redes sociais”. Por isso, a imensa maioria de minhas “amizades” virtuais se restringem a pessoas que conheço (ou já conheci) no mundo real, com poucas exceções. Apesar, entretanto, de pensar que essas sejam apenas “simulações” de relações humanas, creio que, de certa forma, mimetizam nossos comportamentos sociais do mundo real.

No mundo real, tenho conhecidos e amigos de todas as cores, de muitas línguas, das mais variadas crenças e descrenças religiosas, de muitas nacionalidades e cidadanias, de múltiplas perspectivas políticas, e de diferentes backgrounds culturais e statussocioeconômicos. Para mim, esta diversidade é o que torna a vida humana bela, apesar de todas aquelas pequenas e/ou grandes coisas que parecem querer sabotar a beleza de nossa experiência na Terra. Eu não consigo imaginar minha vida num mundo no qual não houvesse tal multiplicidade humana.

A mentalidade de nosso tempo, da qual também sou herdeiro, louva, ao menos nominalmente, a diversidade como elemento vital da “essência” da vida social. Assim, ensinamos, escrevemos, cantamos, pregamos, pintamos, filmamos, construímos, dançamos, cozinhamos, amamos – e todos os possíveis verbos criativos imagináveis – a diversidade.

Sempre foi minha política pessoal mimetizar essa variedade também no mundo virtual.

Nos últimos anos, entretanto, tenho me surpreendido com a atitude de certos conhecidos nos mundos real e virtual. Alguns, pessoas que publicamente recitam os credos da diversidade e da tolerância, têm declarado que se afastarão daqueles que ousam pensar de forma distinta das deles – especialmente no que concerne à política e à religião. No mundo virtual, ameaçam “deletar” de seus círculos qualquer um que expresse uma opinião, geralmente política ou religiosa, da qual eles discordem!

Mais um sintoma da contradição de nossa era! Infectamos nossos professos credos políticos/religiosos com a hipocrisia de nossas atitudes arrogantes, que, consequentemente, desacreditam tais credos.

Assim fazendo, vence o espírito da iliberalidade e do conformismo opressor. Uma negação da diversidade e da multiplicidade humanas.

+Gibson

Monday, March 16, 2015

O 15 de março de 2015: primeiras reflexões


Não. Não apoio a insanidade de exigir que a Presidente da República – administração de quem tanto critico – seja impedida. Não parece haver, pelo menos até agora, razões jurídicas para que ela sofresse tal “punição”. Isso significa que não apoiei e não me envolvi com nenhuma demanda por seu impedimento, direta ou indiretamente. Também tenho refletido muito sobre as razões para as construções discursivas nas manifestações do “povo” – um conceito subjetivo e arbitrário – concernentes a essa demanda por impedimento; uma demanda que, em minha opinião, é completamente desinformada.

Seja como for, penso sobre alguns dos comentários ridículos que ouvi ou li sobre as manifestações de ontem, e gostaria de respondê-los aqui.

A “análise” (se é que posso chamá-la assim) das manifestações de ontem caíram na mesma armadilha “politiqueira” que aquelas de 2013. Para os governistas, os manifestantes se enquadrariam em duas classes:

1) Aqueles que não votaram em Dilma Rousseff nas últimas eleições – e que, por isso mesmo, seu protesto não teria peso moral nem importância política;

2) Aqueles que estariam protestando contra a corrupção que, segundo eles, teria se instalado na Petrobras, no Congresso etc, ainda na administração do PSDB, e contra políticas econômicas (como o “fator previdenciário”) implantadas pelo mesmo partido.

Em outras palavras:

Para esses brilhantes políticos, e para muitos daqueles que formam sua base de apoio intelectual no meio jornalístico e universitário, os manifestantes ou não protestavam contra a administração de Dilma Rousseff ou, no caso daqueles que o faziam, faziam uma manifestação ilegítima (por diferentes razões). Ou seja, nenhum esforço para fazer uma autocrítica!

Em minha opinião, houve um festival de idiotices nas demandas “populares” (novamente, uma construção discursiva subjetiva e arbitrária): tanto o impedimento quanto o absurdo de alguns dos manifestantes pedirem uma intervenção militar (que, a propósito, não é o mesmo que demandar um “retorno da ditadura”, como alguns interpretaram na imprensa e nas redes sociais). Entretanto, a imensa maioria dos manifestantes aparentemente demandavam o fim da corrupção e a punição dos corruptores do dia – o que inclui uma imensa lista de governistas. Ou seja, sua manifestação era, sim, contra um modus operandi que, na opinião de muitos desses manifestantes, tornara-se explícito na administração federal sob a tutela petista (sem com isso se supor que a corrupção seja uma criação petista).

A tática retórica dos governistas, e de seus lacaios, é a de deslegitimar o inconformismo político. Assim, qualquer um que se manifeste contrariamente ao governo petista é pintado em termos contrários ao que o imaginário “esquerdista” brasileiro defina como “povo”. Desta forma, ser “branco” (no caso brasileiro, mais uma construção discursiva subjetiva e arbitrária), por exemplo, é um fator deslegitimador para que essa voz seja ouvida como cidadã – seu protesto é, assim, silenciado, por ser classificado como “elitista”, “direitista”, “fundamentalista”, etc.

Em 2013, a tática de desconstrução de muitas das vozes manifestadas nas ruas incluía imputar o objetivo dos manifestantes como unicamente um protesto contra o Legislativo brasileiro e, principalmente, contra a “direita” (outra construção discursiva subjetiva e arbitrária) que já governara o Brasil anteriormente. Assim, o “povo”, quando protestava por mais e melhores serviços públicos e contra a corrupção, não o fazia contra quem detinha o poder no dia, mas contra o Legislativo (a quem não compete a administração direta daqueles serviços) e contra a “direita” (leia-se: o PSDB), que não era governo desde 2003.

Você consegue enxergar o problema aqui?

Essa mesma elite político-intelectual – me refiro, agora, aos governistas e a muitos de seus apoiadores nos meios jornalísticos e universitários – já se engaja na mesma atividade de desconstrução no que concerne às manifestações de ontem (15 de março de 2015). E a incoerência filosófico-discursiva desses é estarrecedora! Enquanto, por exemplo, não viam nenhum mal nos protestos incendiários de junho de 2013, agora enxergam os cidadãos que pacificamente protestam contra o governo petista como “elite golpista”!

Em outras palavras, crime é ser politicamente inconformista! E você destrói o inconformismo simplesmente classificando-o como “golpismo”! Esta é, ao menos, a receita dos governistas do dia!

+Gibson

Saturday, March 14, 2015

A imaturidade democrática brasileira: piada esquizofrênica de mau gosto.


A imaturidade democrática na qual estamos mergulhados, no Brasil de 2015, é uma piada esquizofrênica de muito mau gosto. Essa sintomatologia social, que tem se exacerbado desde as campanhas eleitorais de 2014, só demonstra o longo caminho que ainda teremos de percorrer para desenvolvermos uma consciência assentada sobre os princípios da liberdade e da democracia.

Não votei na Presidente da República atual. Isso não é segredo. Observando a conjuntura sociopolítica, desde antes das últimas eleições, já imaginava que ela seria reeleita – apesar de eu haver desejado que não tivesse sido. Esse era o meu desejo individual. Ele não se realizou – como eu esperava. A maioria dos eleitores escolheram confiar em quem já governava. A dinastia do dia permaneceu no poder. Ponto final no que tange aos próximos quatro anos... Ao menos para mim era ponto final!

Durante o período eleitoral, me irritei e me diverti deveras com as idiotices que ouvi e li por aí. O exagero, o fanatismo, a ignorância, o preconceito, a intolerância, a indelicadeza, a insensatez, a imoralidade, tudo isso e muito mais, parecia ter infectado a voz de muitos que eu conhecia. Me surpreendi com o fato de pessoas aparentemente tão instruídas dizerem e escreverem tanta idiotice, baseada num fanatismo partidário cômico, que me envergonhei por seu comportamento. E isso, devo enfatizar, se aplicava a todos os lados das preferências partidárias daqueles que conhecia... Uma grande pena! Uma grande vergonha!

A vergonha alheia só aumentou quando outros defendiam uma intervenção militar ou o impedimento da Presidente da República, sem compreender o sentido institucional de sua descomunal idiotice partidária. Eles esqueceram que, numa sociedade livre e democrática, temos a obrigação moral e constitucional de honrar a escolha dos outros eleitores – pelo menos até que as instituições legais decidam que deve ser de outra forma.

Por isso não posso, em sã consciência democrática, me juntar àqueles que exigem o impedimento da Presidente. Com base em quê isso seria bem sucedido? Que evidências concretas há – não suposições baseadas na paixão partidária, mas evidências que possam sobreviver ao escrutínio legal – de seu envolvimento em atividades criminosas que possam justificar seu impedimento? E o que isso faria às instituições democráticas?

Que investiguem suas ligações com os acusados de corrupção. Que investiguem o financiamento de sua campanha. Que investiguem de forma ampla e aberta. Aí, então, se forem encontradas evidências suficientes que apontem crime, eu mesmo estarei na primeira fila daqueles que pedem seu impedimento. Sem evidências concretas, só estaria fazendo o que os fanáticos partidários dos que hoje ocupam os tronos dos palácios executivos fizeram durante todo o período no qual lá não estavam. Eram eles – os petistas – quem pediam o impedimento dos anteriores (como Fernando Collor de Melo que, posteriormente, tornar-se-ia aliado da administração petista; e Fernando Henrique Cardoso que fez um imenso esforço para construir a credibilidade política de Lula da Silva no cenário internacional, antes de sua posse).

Sou contrário a essa demanda pelo impedimento, assim como sou contrário à servitude política de sindicatos e outros grupos ao governo petista. Entretanto, apesar de ser contrário às suas demandas, como um liberal democrata, sou a favor da vociferação das mesmas. Como alguém que confia na democracia e na liberdade, acredito que não há risco ou ameaça em se declarar e demandar, desde que de forma legal. Logo, o sair às ruas exigindo um impedimento não é uma ação golpista: é, antes, a manifestação duma crença ou desejo que, mesmo equivocados, representam uma parcela da cidadania. O mesmo, obviamente, se aplica àqueles que saíram às ruas para apoiar o governo.

Os fanáticos, contudo, tentarão convencê-los que o “outro” – seja ela anti- ou pró- Rousseff – é golpista e antidemocrático apenas por dar voz a uma opinião contrária. Essa atitude de construção de inimigos e de divisão forçosa de classes partidárias, para mim, é o que é a maior ameaça à democracia.

Vejamos o que ocorrerá amanhã... Até lá, estou do lado da diversidade de opiniões e, principalmente, das instituições de Direito!

+Gibson

Monday, March 9, 2015

E os instruídos inimigos do inconformismo repreendem o panelaço dos manifestantes com adjetivações chavistas: o drama pós-eleitoral brasileiro continua...


Até agora penso ser uma idiotice que se queira o impeachment de Sua Excelência a Eterna Candidata a Presidente da Terra do “A Culpa é Deles” – também conhecida como Presidente Dilma Rousseff. É uma idiotice porque, até agora, não se apresentaram razões legais para isso, apesar das inúmeras razões morais para tanto – mas se vamos utilizar razões morais para exigir o impeachment de governantes, possivelmente não permanecerá um só em todo o Brasil.

Entretanto, independentemente do que penso sobre a abertura dum processo de impeachment, é minha convicção que numa democracia o direito à demonstração legal e pacífica de discordância é sacrossanta, já que a mesma está enraizada no espírito e na letra de nossa Constituição Federal.

É ridículo ouvir e ler comentários acerca dos manifestantes contrários ao governo, e seu panelaço de ontem, como se todos eles fossem “a elite golpista e intolerante”. Nem todos eles não são uma elite golpista – adjetivo vago, esclareça-se, tão utilizado pelo chavismo venezuelano e seus clones do resto do continente para classificar toda voz discordante que se erga contra eles (e já plenamente absorvido pelos ainda detentores do poder do dia no Brasil, tão temerosos de perder “a coroa e o cetro”). Eles – os manifestantes tímidos de alguns dos bairros menos “populares” brasileiros – são cidadãos da República e, como tal, têm o pleno direito a manifestar sua inconformidade com o que queiram.

A noção de democracia desses politiqueiros (i.e., os políticos governistas, mas também da "oposição") e, aparentemente, também dos autores dos discursos da citada Presidente, entretanto, exclui da cidadania as vozes discordantes. Os que discordam, aqueles que se demonstram inconformes, são vilanizados como inimigos da democracia, logo, do povo, do Estado e da cidadania... Ora, senhoras e senhores, será que já não conhecemos este discurso de vilanização da oposição? Não foi assim que ditaduras se estabeleceram e se sustentaram no poder ao redor do mundo (fossem elas de direita, de centro, de esquerda, de baixo, de cima)? Não foi assim que tão facilmente dividiram nações e construíram inimizades artificiais para justamente enfraquecer a democracia e manter-se no poder sobre os alicerces do medo?

É interessante como vilanizam cidadãos que batam em suas panelas, classificando-os de “elite golpista e intolerante”, mas que outros também cidadãos que violam as leis, destroem, atacam propriedades públicas e privadas, em nome dum suposto protesto, sejam classificados como “democratas”. Isso só demonstra o quanto ainda temos de aprender o sentido de viver numa sociedade plural!

+Gibson

Saturday, February 28, 2015

A sabedoria de Sua Excelência a Eterna Candidata a Presidente da Terra do "a culpa é deles"!


Quando me dou ao trabalho de ouvir atentamente o que diz nossa ilustre Presidente da República, me aborreço. E meu aborrecimento vem do fato de que ela não demonstra a coragem de realmente encarar os problemas nacionais e abandonar a persona de candidata sobre um palanque eleitoral (persona da qual ela parece ter um sério problema para se desprender!).

Diferentemente de seus ilustrados eleitores, que se encobrem com a suposta habilidade de analistas do discurso – claro, quando o objeto de sua análise se tratar do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que já não governa o país há treze anos, ou de candidatos do PSDB –, não me esqueço das promessas feitas pela Presidente-eterna-candidata durante as campanhas de 2014.

Ontem, quando ouvi mais um trecho de sua eterna campanha eleitoral – oficialmente chamado de “pronunciamento presidencial”, ou sei lá o quê –, não sabia se ria da piada ou se chorava pela tragédia. Ela mudou aqueles argumentos utilizados contra a campanha de Aécio Neves (PSDB), há apenas alguns meses atrás, e agora gloriosamente afirma que:

a) o preço da energia sobe por conta da falta de água;

e,

b) hoje enfrentamos a maior falta de água dos últimos cem anos.


Ou seja, para a ilustre Presidente-eterna-candidata, falta água não porque sua administração foi incompetente para planejar meios de lidar com a estiagem (incompetência que ela tão facilmente lembrou de atribuir aos governos do ex-Presidente FHC, e ao atual governador do Estado de São Paulo), mas porque – como alguns diriam – “São Pedro” não fez seu trabalho! E já que ele descumpriu sua função de controlador das chuvas, a Presidente-já-reeleita pode punir os bolsos nacionais!

O que é realmente interessante nessa história toda é o silêncio dos “analistas do discurso” partidários de Sua Excelência a Eterna Candidata! Vai ver que, para “eles”, FHC é o responsável pela falta de água e o responsável pela subida dos preços!

Afinal de contas, para “eles” (esses “analistas do discurso”), FHC é quem deve ser responsabilizado pelo que ocorre na Petrobras, como o quer Sua Excelência a Eterna Candidata!

Esqueçam o fato de a dinastia “trabalhista” e seus lambe-pés estarem no poder há quatro mandatos! Esqueçam o fato de que controlaram o Congresso e a maioria das assembleias estaduais durante todo este tempo! Esqueçam o fato de que controlaram todas as empresas estatais durante este período!...

A culpa de tudo isso é de FHC, do PSDB, da “direita”, da elite branca, dos “imperialistas” europeus e norte-americanos... ah, claro!, e não esqueçamos do mais novo (ir)responsável: São Pedro!!!

Não sei se rio ou se choro!

+Gibson

Wednesday, February 11, 2015

As campanhas “eleitoreiras”, quem diria?, não acabaram!


As campanhas “eleitoreiras”, quem diria?, ainda não acabaram! Não acredita em mim? É só observar a tática dos ativistas governistas no que tange ao escândalo da Petrobras.

Pelos crimes praticados pelos administradores da Petrobras, “eles” culpam a Rede Globo e a “direita” PSDBista!... Dá pra acreditar?!... Claro que não foram os administradores partidários incompetentes de hoje – cuja tradição, diga-se desde agora, já estava presente na administração tucana e em todas as anteriores. Mas, no Brasil comprado pela nudez carnavalesca e silenciado pela política do “pão e circo”, é mais fácil apontar os culpados de treze anos atrás do que enfrentar os corruptos e corruptores heroizados desta manhã. Enfatiza-se o passado – que, sim, deve ser investigado – para esconder os crimes do presente, transformando, assim, criminosos em vítimas!

Se ainda não deixei isto muito claro, vale repetir: não confio nos detentores dos assentos executivos, sejam eles de que partido for. Entretanto, o PT, depois de toda a corrupção explicitada especialmente nos últimos nove anos, é menos digno de confiança ainda. Os adeptos do culto político que se estabeleceu em torno de seu “clero” e de seu mito discordarão de mim e darão as respostas idiotas já conhecidas, mas não me importo com seu raciocínio mentecapto!

A “chefona” e seus lacaios encontraram uma saída argumentativa (será?!): é só repetir que nunca antes se investigou e puniu tantos malfeitores como hoje. Assim, eles quebram até mesmo os muros que separam os poderes republicanos! E seus serviçais ignorantes nas “redes sociais” tatuam-se com o sórdido lixo amoral que se tornou sua eterna campanha “eleitoreira”.

Como sempre digo, repito agora: os eleitores merecem o governo ao qual se submetem e cujos pés lambem! [Seja sua face a Federal, a Estadual ou a Municipal.] Então saboreiem a lama que compraram!

Gibson – o cidadão farto da sordidez governista

Thursday, January 22, 2015

O “tiro no pé” do Mormonismo ortodoxo em sua tentativa de silenciar o corajoso John Dehlin: quando discordar respeitosamente torna-se uma declaração de guerra


Gibson da Costa

[…] Os mórmons devem ser tratados como inimigos, e devem ser exterminados ou expulsos do estado, se necessário, para a paz pública – seus ultrajes estão além de qualquer descrição. […]
(Ordem Executiva nº 44, do Governador Lilburn W. Boggs, do Estado de Missouri – 27 de outubro de 1838)

Antes que você se choque com a citação acima nesta página, é bom que eu esclareça que não a incluí aqui por concordar com suas palavras. Se você não tiver ligação com a tradição dos “santos dos últimos dias” (SUD), conhecida popularmente como “mormonismo”, nem dedica-se ao estudo da tradição a partir de seu exterior, possivelmente desconhece a história de perseguição e sofrimento que seus primeiros adeptos sofreram. Não é exagero afirmar que os “mórmons” consistiram o grupo religioso mais brutalmente perseguido na história dos Estados Unidos – o que, de certa forma, ajuda a compreender seu senso de vitimização e exclusão enraizada especialmente na memória das comunidades “mórmons” de Utah e de estados vizinhos, e a cultura de intolerância institucional à não-conformidade doutrinária ou hierárquica n' A Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias (AIJCSUD) [sim, o artigo definido feminino singular é parte do nome da denominação, por isso a não contração aqui].

Hoje, a vítima dessa cultura é John Dehlin, um prominente intelectual e blogueiro SUD que ousa defender publicamente posições sobre o tratamento de mulheres, de minorias étnicas e sexuais e de intelectuais, na AIJCSUD, que entram em conflito com as práticas da denominação com relação aos não conformistas em seu seio.

No próximo dia 8 de fevereiro, Dehlin será levado diante dum Conselho Disciplinar de sua igreja para ser julgado por sua “apostasia” (heresia). Seus líderes o julgarão com base em sua auto-apresentação, em sua página na internet, onde afirma:

Tenho um profundo amor pela igreja SUD, por seus membros e por seus ex-membros. Me considero como um mórmon não ortodoxo e não ortopráxico. Acredito em muitas dos ensinamentos morais centrais e não-distintivos do Mormonismo (por exemplo, amor, generosidade, caridade, perdão, fé, esperança), mas ou tenho sérias dúvidas sobre, ou não mais acredito em muitas das reivindicações de verdades fundamentais da igreja SUD (por exemplo, o Deus antropomórfico, “única igreja verdadeira com autoridade exclusiva”, que o atual profeta da igreja SUD recebe comunicações privilegiadas de Deus, que o Livro de Mórmon e o Livro de Abraão são traduções, poligamia, ensinamentos racistas no Livro de Mórmon, que ordenanças são exigências para a salvação, obras em favor dos mortos).
[…]
Creio que muitos líderes da igreja SUD têm boas intenções, mas me perturbo profundamente por seu tratamento histórico e atual das mulheres, de minorias raciais e sexuais, e de cientistas/intelectuais. Perturbo-me também por sua abordagem histórica e atual à fé/dúvida, sexualidade, pela busca de vastos interesses comerciais juntamento com sua não divulgação de seus dados financeiros, coerção/envergonhamento de membros por meio do impedimento de privilégios no templo e no sacerdócio, e a atual mentalidade de adoração à liderança na igreja SUD. Creio que o desencorajamento de críticas a líderes da igreja SUD é, possivelmente, o aspecto mais pernicioso e prejudicial da cultura da igreja SUD – e que a luz do sol e a candura sejam os melhores desinfetantes.

Dedicarei os anos restantes de minha vida a: 1) ajudar a minimizar o dano, e maximizar o bem, nas culturas secular e religiosa, e 2) ajudar aqueles que estão deixando a ortodoxia religiosa a encontrar alegria, sentido e satisfação em suas vidas, famílias e comunidades – seja dentro ou fora duma estrutura eclesiástica formal.
[…]

Esse é o pecado de John Dehlin. Sua grande apostasia e rebelião!

O julgamento perante um Conselho Disciplinar, a propósito, é um procedimento comum a todos aqueles que são acusados de pecados sérios no “mormonismo”, o que inclui o quase imperdoável pecado de questionar a doutrina ou discordar da hierarquia da AIJCSUD. Ocorre sob a presidência do Presidente de Estaca (“Estaca” é o correspondente a uma diocese nas tradições anglicana, luterana ou católica, por exemplo). A punição pode chegar ao máximo de excomunhão – que, na teologia mórmon, significa perda da “exaltação”, caso não haja um arrependimento pleno, e o isolamento social pleno (já que um excomunhado frequentemente é discriminado por seus amigos e familiares SUD – ou seja, como diria uma amiga minha que já passou por isso, “o mal é cortado pela raiz”).

Antes que você questione as motivações de Dehlin, vale a pena saber quem ele é.

Nascido na “mormoníssima” Boise, em Idaho – apesar de criado no Texas –, Dehlin vem duma tradicional família SUD. Após servir como missionário na Guatemala para sua igreja (1988-1990), frequentou a BYU (Universidade Brigham Young), onde se formou em Ciência Política. Depois de formado, trabalhou para várias empresas da área de computação, incluindo a Microsoft, e para a própria AIJCSUD. Trabalhou, ainda, para a Universidade Estadual de Utah e para o MIT, no desenvolvimento e coordenação de programas de educação online.

Na Universidade Estadual de Utah, também fez seu mestrado, pesquisando o desenvolvimento dum tratamento para o TOC baseado na experiência religiosa, com foco na população mórmon de orientação gay que se submetia a tentativas de mudança de orientação sexual. E, hoje, termina seu doutorado em Psicologia Clínica e Aconselhamento, aprofundando sua pesquisa sobre a relação entre religião e saúde mental.

É casado com Margaret – os dois foram ortodoxamente “selados” num templo SUD –, e é pai de três filhas e um filho.

Ele tem sido um personagem central no movimento de levar o “mormonismo” para o universo das discussões online com aqueles mórmons interessados em discutir a história e as ideias da tradição SUD. Seu trabalho tornou-se, desde o início dos anos 2000, um suporte especialmente àqueles SUD que se viam excluídos por não poderem discutir suas dúvidas, nem encontrarem uma rede de apoio dentre seu próprio povo. Participou na organização duma rede de mórmons para apoiarem jovens gays mórmons, que sofrem uma alta incidência de suicídio, especialmente em Utah e estados vizinhos. Tornou-se um bastião de esperança para muitos em sua própria denominação.

Dehlin disse hoje numa entrevista ao The Salt Lake Tribune que se for excomunhado, respeitará a decisão da igreja. Para ele, a igreja tem o direito de decidir quem pode continuar a ser membro.

O que os poderosíssimos líderes mórmons de Utah não se dão conta, entretanto, é que sua já longa perseguição a John Dehlin – baseada numa afirmação feita fora da igreja por um membro que não ocupa posições de liderança na mesma – poderá tornar-se um “tiro no pé” da própria igreja SUD. Imaginem ter de explicar isso ao eleitorado dos Estados Unidos do século XXI, se Mitt Romney se pré candidatar, mais uma vez, a Presidente dos EUA... É aguardar e ver o que acontece!

+Gibson