Saturday, March 21, 2015

Pela diversidade e multiplicidade humanas!


Nunca tive muita paciência para as ditas “amizades” virtuais – i.e., aquelas que ocorrem apenas nas “redes sociais”. Por isso, a imensa maioria de minhas “amizades” virtuais se restringem a pessoas que conheço (ou já conheci) no mundo real, com poucas exceções. Apesar, entretanto, de pensar que essas sejam apenas “simulações” de relações humanas, creio que, de certa forma, mimetizam nossos comportamentos sociais do mundo real.

No mundo real, tenho conhecidos e amigos de todas as cores, de muitas línguas, das mais variadas crenças e descrenças religiosas, de muitas nacionalidades e cidadanias, de múltiplas perspectivas políticas, e de diferentes backgrounds culturais e statussocioeconômicos. Para mim, esta diversidade é o que torna a vida humana bela, apesar de todas aquelas pequenas e/ou grandes coisas que parecem querer sabotar a beleza de nossa experiência na Terra. Eu não consigo imaginar minha vida num mundo no qual não houvesse tal multiplicidade humana.

A mentalidade de nosso tempo, da qual também sou herdeiro, louva, ao menos nominalmente, a diversidade como elemento vital da “essência” da vida social. Assim, ensinamos, escrevemos, cantamos, pregamos, pintamos, filmamos, construímos, dançamos, cozinhamos, amamos – e todos os possíveis verbos criativos imagináveis – a diversidade.

Sempre foi minha política pessoal mimetizar essa variedade também no mundo virtual.

Nos últimos anos, entretanto, tenho me surpreendido com a atitude de certos conhecidos nos mundos real e virtual. Alguns, pessoas que publicamente recitam os credos da diversidade e da tolerância, têm declarado que se afastarão daqueles que ousam pensar de forma distinta das deles – especialmente no que concerne à política e à religião. No mundo virtual, ameaçam “deletar” de seus círculos qualquer um que expresse uma opinião, geralmente política ou religiosa, da qual eles discordem!

Mais um sintoma da contradição de nossa era! Infectamos nossos professos credos políticos/religiosos com a hipocrisia de nossas atitudes arrogantes, que, consequentemente, desacreditam tais credos.

Assim fazendo, vence o espírito da iliberalidade e do conformismo opressor. Uma negação da diversidade e da multiplicidade humanas.

+Gibson

Monday, March 16, 2015

O 15 de março de 2015: primeiras reflexões


Não. Não apoio a insanidade de exigir que a Presidente da República – administração de quem tanto critico – seja impedida. Não parece haver, pelo menos até agora, razões jurídicas para que ela sofresse tal “punição”. Isso significa que não apoiei e não me envolvi com nenhuma demanda por seu impedimento, direta ou indiretamente. Também tenho refletido muito sobre as razões para as construções discursivas nas manifestações do “povo” – um conceito subjetivo e arbitrário – concernentes a essa demanda por impedimento; uma demanda que, em minha opinião, é completamente desinformada.

Seja como for, penso sobre alguns dos comentários ridículos que ouvi ou li sobre as manifestações de ontem, e gostaria de respondê-los aqui.

A “análise” (se é que posso chamá-la assim) das manifestações de ontem caíram na mesma armadilha “politiqueira” que aquelas de 2013. Para os governistas, os manifestantes se enquadrariam em duas classes:

1) Aqueles que não votaram em Dilma Rousseff nas últimas eleições – e que, por isso mesmo, seu protesto não teria peso moral nem importância política;

2) Aqueles que estariam protestando contra a corrupção que, segundo eles, teria se instalado na Petrobras, no Congresso etc, ainda na administração do PSDB, e contra políticas econômicas (como o “fator previdenciário”) implantadas pelo mesmo partido.

Em outras palavras:

Para esses brilhantes políticos, e para muitos daqueles que formam sua base de apoio intelectual no meio jornalístico e universitário, os manifestantes ou não protestavam contra a administração de Dilma Rousseff ou, no caso daqueles que o faziam, faziam uma manifestação ilegítima (por diferentes razões). Ou seja, nenhum esforço para fazer uma autocrítica!

Em minha opinião, houve um festival de idiotices nas demandas “populares” (novamente, uma construção discursiva subjetiva e arbitrária): tanto o impedimento quanto o absurdo de alguns dos manifestantes pedirem uma intervenção militar (que, a propósito, não é o mesmo que demandar um “retorno da ditadura”, como alguns interpretaram na imprensa e nas redes sociais). Entretanto, a imensa maioria dos manifestantes aparentemente demandavam o fim da corrupção e a punição dos corruptores do dia – o que inclui uma imensa lista de governistas. Ou seja, sua manifestação era, sim, contra um modus operandi que, na opinião de muitos desses manifestantes, tornara-se explícito na administração federal sob a tutela petista (sem com isso se supor que a corrupção seja uma criação petista).

A tática retórica dos governistas, e de seus lacaios, é a de deslegitimar o inconformismo político. Assim, qualquer um que se manifeste contrariamente ao governo petista é pintado em termos contrários ao que o imaginário “esquerdista” brasileiro defina como “povo”. Desta forma, ser “branco” (no caso brasileiro, mais uma construção discursiva subjetiva e arbitrária), por exemplo, é um fator deslegitimador para que essa voz seja ouvida como cidadã – seu protesto é, assim, silenciado, por ser classificado como “elitista”, “direitista”, “fundamentalista”, etc.

Em 2013, a tática de desconstrução de muitas das vozes manifestadas nas ruas incluía imputar o objetivo dos manifestantes como unicamente um protesto contra o Legislativo brasileiro e, principalmente, contra a “direita” (outra construção discursiva subjetiva e arbitrária) que já governara o Brasil anteriormente. Assim, o “povo”, quando protestava por mais e melhores serviços públicos e contra a corrupção, não o fazia contra quem detinha o poder no dia, mas contra o Legislativo (a quem não compete a administração direta daqueles serviços) e contra a “direita” (leia-se: o PSDB), que não era governo desde 2003.

Você consegue enxergar o problema aqui?

Essa mesma elite político-intelectual – me refiro, agora, aos governistas e a muitos de seus apoiadores nos meios jornalísticos e universitários – já se engaja na mesma atividade de desconstrução no que concerne às manifestações de ontem (15 de março de 2015). E a incoerência filosófico-discursiva desses é estarrecedora! Enquanto, por exemplo, não viam nenhum mal nos protestos incendiários de junho de 2013, agora enxergam os cidadãos que pacificamente protestam contra o governo petista como “elite golpista”!

Em outras palavras, crime é ser politicamente inconformista! E você destrói o inconformismo simplesmente classificando-o como “golpismo”! Esta é, ao menos, a receita dos governistas do dia!

+Gibson

Saturday, March 14, 2015

A imaturidade democrática brasileira: piada esquizofrênica de mau gosto.


A imaturidade democrática na qual estamos mergulhados, no Brasil de 2015, é uma piada esquizofrênica de muito mau gosto. Essa sintomatologia social, que tem se exacerbado desde as campanhas eleitorais de 2014, só demonstra o longo caminho que ainda teremos de percorrer para desenvolvermos uma consciência assentada sobre os princípios da liberdade e da democracia.

Não votei na Presidente da República atual. Isso não é segredo. Observando a conjuntura sociopolítica, desde antes das últimas eleições, já imaginava que ela seria reeleita – apesar de eu haver desejado que não tivesse sido. Esse era o meu desejo individual. Ele não se realizou – como eu esperava. A maioria dos eleitores escolheram confiar em quem já governava. A dinastia do dia permaneceu no poder. Ponto final no que tange aos próximos quatro anos... Ao menos para mim era ponto final!

Durante o período eleitoral, me irritei e me diverti deveras com as idiotices que ouvi e li por aí. O exagero, o fanatismo, a ignorância, o preconceito, a intolerância, a indelicadeza, a insensatez, a imoralidade, tudo isso e muito mais, parecia ter infectado a voz de muitos que eu conhecia. Me surpreendi com o fato de pessoas aparentemente tão instruídas dizerem e escreverem tanta idiotice, baseada num fanatismo partidário cômico, que me envergonhei por seu comportamento. E isso, devo enfatizar, se aplicava a todos os lados das preferências partidárias daqueles que conhecia... Uma grande pena! Uma grande vergonha!

A vergonha alheia só aumentou quando outros defendiam uma intervenção militar ou o impedimento da Presidente da República, sem compreender o sentido institucional de sua descomunal idiotice partidária. Eles esqueceram que, numa sociedade livre e democrática, temos a obrigação moral e constitucional de honrar a escolha dos outros eleitores – pelo menos até que as instituições legais decidam que deve ser de outra forma.

Por isso não posso, em sã consciência democrática, me juntar àqueles que exigem o impedimento da Presidente. Com base em quê isso seria bem sucedido? Que evidências concretas há – não suposições baseadas na paixão partidária, mas evidências que possam sobreviver ao escrutínio legal – de seu envolvimento em atividades criminosas que possam justificar seu impedimento? E o que isso faria às instituições democráticas?

Que investiguem suas ligações com os acusados de corrupção. Que investiguem o financiamento de sua campanha. Que investiguem de forma ampla e aberta. Aí, então, se forem encontradas evidências suficientes que apontem crime, eu mesmo estarei na primeira fila daqueles que pedem seu impedimento. Sem evidências concretas, só estaria fazendo o que os fanáticos partidários dos que hoje ocupam os tronos dos palácios executivos fizeram durante todo o período no qual lá não estavam. Eram eles – os petistas – quem pediam o impedimento dos anteriores (como Fernando Collor de Melo que, posteriormente, tornar-se-ia aliado da administração petista; e Fernando Henrique Cardoso que fez um imenso esforço para construir a credibilidade política de Lula da Silva no cenário internacional, antes de sua posse).

Sou contrário a essa demanda pelo impedimento, assim como sou contrário à servitude política de sindicatos e outros grupos ao governo petista. Entretanto, apesar de ser contrário às suas demandas, como um liberal democrata, sou a favor da vociferação das mesmas. Como alguém que confia na democracia e na liberdade, acredito que não há risco ou ameaça em se declarar e demandar, desde que de forma legal. Logo, o sair às ruas exigindo um impedimento não é uma ação golpista: é, antes, a manifestação duma crença ou desejo que, mesmo equivocados, representam uma parcela da cidadania. O mesmo, obviamente, se aplica àqueles que saíram às ruas para apoiar o governo.

Os fanáticos, contudo, tentarão convencê-los que o “outro” – seja ela anti- ou pró- Rousseff – é golpista e antidemocrático apenas por dar voz a uma opinião contrária. Essa atitude de construção de inimigos e de divisão forçosa de classes partidárias, para mim, é o que é a maior ameaça à democracia.

Vejamos o que ocorrerá amanhã... Até lá, estou do lado da diversidade de opiniões e, principalmente, das instituições de Direito!

+Gibson

Monday, March 9, 2015

E os instruídos inimigos do inconformismo repreendem o panelaço dos manifestantes com adjetivações chavistas: o drama pós-eleitoral brasileiro continua...


Até agora penso ser uma idiotice que se queira o impeachment de Sua Excelência a Eterna Candidata a Presidente da Terra do “A Culpa é Deles” – também conhecida como Presidente Dilma Rousseff. É uma idiotice porque, até agora, não se apresentaram razões legais para isso, apesar das inúmeras razões morais para tanto – mas se vamos utilizar razões morais para exigir o impeachment de governantes, possivelmente não permanecerá um só em todo o Brasil.

Entretanto, independentemente do que penso sobre a abertura dum processo de impeachment, é minha convicção que numa democracia o direito à demonstração legal e pacífica de discordância é sacrossanta, já que a mesma está enraizada no espírito e na letra de nossa Constituição Federal.

É ridículo ouvir e ler comentários acerca dos manifestantes contrários ao governo, e seu panelaço de ontem, como se todos eles fossem “a elite golpista e intolerante”. Nem todos eles não são uma elite golpista – adjetivo vago, esclareça-se, tão utilizado pelo chavismo venezuelano e seus clones do resto do continente para classificar toda voz discordante que se erga contra eles (e já plenamente absorvido pelos ainda detentores do poder do dia no Brasil, tão temerosos de perder “a coroa e o cetro”). Eles – os manifestantes tímidos de alguns dos bairros menos “populares” brasileiros – são cidadãos da República e, como tal, têm o pleno direito a manifestar sua inconformidade com o que queiram.

A noção de democracia desses politiqueiros (i.e., os políticos governistas, mas também da "oposição") e, aparentemente, também dos autores dos discursos da citada Presidente, entretanto, exclui da cidadania as vozes discordantes. Os que discordam, aqueles que se demonstram inconformes, são vilanizados como inimigos da democracia, logo, do povo, do Estado e da cidadania... Ora, senhoras e senhores, será que já não conhecemos este discurso de vilanização da oposição? Não foi assim que ditaduras se estabeleceram e se sustentaram no poder ao redor do mundo (fossem elas de direita, de centro, de esquerda, de baixo, de cima)? Não foi assim que tão facilmente dividiram nações e construíram inimizades artificiais para justamente enfraquecer a democracia e manter-se no poder sobre os alicerces do medo?

É interessante como vilanizam cidadãos que batam em suas panelas, classificando-os de “elite golpista e intolerante”, mas que outros também cidadãos que violam as leis, destroem, atacam propriedades públicas e privadas, em nome dum suposto protesto, sejam classificados como “democratas”. Isso só demonstra o quanto ainda temos de aprender o sentido de viver numa sociedade plural!

+Gibson

Saturday, February 28, 2015

A sabedoria de Sua Excelência a Eterna Candidata a Presidente da Terra do "a culpa é deles"!


Quando me dou ao trabalho de ouvir atentamente o que diz nossa ilustre Presidente da República, me aborreço. E meu aborrecimento vem do fato de que ela não demonstra a coragem de realmente encarar os problemas nacionais e abandonar a persona de candidata sobre um palanque eleitoral (persona da qual ela parece ter um sério problema para se desprender!).

Diferentemente de seus ilustrados eleitores, que se encobrem com a suposta habilidade de analistas do discurso – claro, quando o objeto de sua análise se tratar do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que já não governa o país há treze anos, ou de candidatos do PSDB –, não me esqueço das promessas feitas pela Presidente-eterna-candidata durante as campanhas de 2014.

Ontem, quando ouvi mais um trecho de sua eterna campanha eleitoral – oficialmente chamado de “pronunciamento presidencial”, ou sei lá o quê –, não sabia se ria da piada ou se chorava pela tragédia. Ela mudou aqueles argumentos utilizados contra a campanha de Aécio Neves (PSDB), há apenas alguns meses atrás, e agora gloriosamente afirma que:

a) o preço da energia sobe por conta da falta de água;

e,

b) hoje enfrentamos a maior falta de água dos últimos cem anos.


Ou seja, para a ilustre Presidente-eterna-candidata, falta água não porque sua administração foi incompetente para planejar meios de lidar com a estiagem (incompetência que ela tão facilmente lembrou de atribuir aos governos do ex-Presidente FHC, e ao atual governador do Estado de São Paulo), mas porque – como alguns diriam – “São Pedro” não fez seu trabalho! E já que ele descumpriu sua função de controlador das chuvas, a Presidente-já-reeleita pode punir os bolsos nacionais!

O que é realmente interessante nessa história toda é o silêncio dos “analistas do discurso” partidários de Sua Excelência a Eterna Candidata! Vai ver que, para “eles”, FHC é o responsável pela falta de água e o responsável pela subida dos preços!

Afinal de contas, para “eles” (esses “analistas do discurso”), FHC é quem deve ser responsabilizado pelo que ocorre na Petrobras, como o quer Sua Excelência a Eterna Candidata!

Esqueçam o fato de a dinastia “trabalhista” e seus lambe-pés estarem no poder há quatro mandatos! Esqueçam o fato de que controlaram o Congresso e a maioria das assembleias estaduais durante todo este tempo! Esqueçam o fato de que controlaram todas as empresas estatais durante este período!...

A culpa de tudo isso é de FHC, do PSDB, da “direita”, da elite branca, dos “imperialistas” europeus e norte-americanos... ah, claro!, e não esqueçamos do mais novo (ir)responsável: São Pedro!!!

Não sei se rio ou se choro!

+Gibson

Wednesday, February 11, 2015

As campanhas “eleitoreiras”, quem diria?, não acabaram!


As campanhas “eleitoreiras”, quem diria?, ainda não acabaram! Não acredita em mim? É só observar a tática dos ativistas governistas no que tange ao escândalo da Petrobras.

Pelos crimes praticados pelos administradores da Petrobras, “eles” culpam a Rede Globo e a “direita” PSDBista!... Dá pra acreditar?!... Claro que não foram os administradores partidários incompetentes de hoje – cuja tradição, diga-se desde agora, já estava presente na administração tucana e em todas as anteriores. Mas, no Brasil comprado pela nudez carnavalesca e silenciado pela política do “pão e circo”, é mais fácil apontar os culpados de treze anos atrás do que enfrentar os corruptos e corruptores heroizados desta manhã. Enfatiza-se o passado – que, sim, deve ser investigado – para esconder os crimes do presente, transformando, assim, criminosos em vítimas!

Se ainda não deixei isto muito claro, vale repetir: não confio nos detentores dos assentos executivos, sejam eles de que partido for. Entretanto, o PT, depois de toda a corrupção explicitada especialmente nos últimos nove anos, é menos digno de confiança ainda. Os adeptos do culto político que se estabeleceu em torno de seu “clero” e de seu mito discordarão de mim e darão as respostas idiotas já conhecidas, mas não me importo com seu raciocínio mentecapto!

A “chefona” e seus lacaios encontraram uma saída argumentativa (será?!): é só repetir que nunca antes se investigou e puniu tantos malfeitores como hoje. Assim, eles quebram até mesmo os muros que separam os poderes republicanos! E seus serviçais ignorantes nas “redes sociais” tatuam-se com o sórdido lixo amoral que se tornou sua eterna campanha “eleitoreira”.

Como sempre digo, repito agora: os eleitores merecem o governo ao qual se submetem e cujos pés lambem! [Seja sua face a Federal, a Estadual ou a Municipal.] Então saboreiem a lama que compraram!

Gibson – o cidadão farto da sordidez governista

Thursday, January 22, 2015

O “tiro no pé” do Mormonismo ortodoxo em sua tentativa de silenciar o corajoso John Dehlin: quando discordar respeitosamente torna-se uma declaração de guerra


Gibson da Costa

[…] Os mórmons devem ser tratados como inimigos, e devem ser exterminados ou expulsos do estado, se necessário, para a paz pública – seus ultrajes estão além de qualquer descrição. […]
(Ordem Executiva nº 44, do Governador Lilburn W. Boggs, do Estado de Missouri – 27 de outubro de 1838)

Antes que você se choque com a citação acima nesta página, é bom que eu esclareça que não a incluí aqui por concordar com suas palavras. Se você não tiver ligação com a tradição dos “santos dos últimos dias” (SUD), conhecida popularmente como “mormonismo”, nem dedica-se ao estudo da tradição a partir de seu exterior, possivelmente desconhece a história de perseguição e sofrimento que seus primeiros adeptos sofreram. Não é exagero afirmar que os “mórmons” consistiram o grupo religioso mais brutalmente perseguido na história dos Estados Unidos – o que, de certa forma, ajuda a compreender seu senso de vitimização e exclusão enraizada especialmente na memória das comunidades “mórmons” de Utah e de estados vizinhos, e a cultura de intolerância institucional à não-conformidade doutrinária ou hierárquica n' A Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias (AIJCSUD) [sim, o artigo definido feminino singular é parte do nome da denominação, por isso a não contração aqui].

Hoje, a vítima dessa cultura é John Dehlin, um prominente intelectual e blogueiro SUD que ousa defender publicamente posições sobre o tratamento de mulheres, de minorias étnicas e sexuais e de intelectuais, na AIJCSUD, que entram em conflito com as práticas da denominação com relação aos não conformistas em seu seio.

No próximo dia 8 de fevereiro, Dehlin será levado diante dum Conselho Disciplinar de sua igreja para ser julgado por sua “apostasia” (heresia). Seus líderes o julgarão com base em sua auto-apresentação, em sua página na internet, onde afirma:

Tenho um profundo amor pela igreja SUD, por seus membros e por seus ex-membros. Me considero como um mórmon não ortodoxo e não ortopráxico. Acredito em muitas dos ensinamentos morais centrais e não-distintivos do Mormonismo (por exemplo, amor, generosidade, caridade, perdão, fé, esperança), mas ou tenho sérias dúvidas sobre, ou não mais acredito em muitas das reivindicações de verdades fundamentais da igreja SUD (por exemplo, o Deus antropomórfico, “única igreja verdadeira com autoridade exclusiva”, que o atual profeta da igreja SUD recebe comunicações privilegiadas de Deus, que o Livro de Mórmon e o Livro de Abraão são traduções, poligamia, ensinamentos racistas no Livro de Mórmon, que ordenanças são exigências para a salvação, obras em favor dos mortos).
[…]
Creio que muitos líderes da igreja SUD têm boas intenções, mas me perturbo profundamente por seu tratamento histórico e atual das mulheres, de minorias raciais e sexuais, e de cientistas/intelectuais. Perturbo-me também por sua abordagem histórica e atual à fé/dúvida, sexualidade, pela busca de vastos interesses comerciais juntamento com sua não divulgação de seus dados financeiros, coerção/envergonhamento de membros por meio do impedimento de privilégios no templo e no sacerdócio, e a atual mentalidade de adoração à liderança na igreja SUD. Creio que o desencorajamento de críticas a líderes da igreja SUD é, possivelmente, o aspecto mais pernicioso e prejudicial da cultura da igreja SUD – e que a luz do sol e a candura sejam os melhores desinfetantes.

Dedicarei os anos restantes de minha vida a: 1) ajudar a minimizar o dano, e maximizar o bem, nas culturas secular e religiosa, e 2) ajudar aqueles que estão deixando a ortodoxia religiosa a encontrar alegria, sentido e satisfação em suas vidas, famílias e comunidades – seja dentro ou fora duma estrutura eclesiástica formal.
[…]

Esse é o pecado de John Dehlin. Sua grande apostasia e rebelião!

O julgamento perante um Conselho Disciplinar, a propósito, é um procedimento comum a todos aqueles que são acusados de pecados sérios no “mormonismo”, o que inclui o quase imperdoável pecado de questionar a doutrina ou discordar da hierarquia da AIJCSUD. Ocorre sob a presidência do Presidente de Estaca (“Estaca” é o correspondente a uma diocese nas tradições anglicana, luterana ou católica, por exemplo). A punição pode chegar ao máximo de excomunhão – que, na teologia mórmon, significa perda da “exaltação”, caso não haja um arrependimento pleno, e o isolamento social pleno (já que um excomunhado frequentemente é discriminado por seus amigos e familiares SUD – ou seja, como diria uma amiga minha que já passou por isso, “o mal é cortado pela raiz”).

Antes que você questione as motivações de Dehlin, vale a pena saber quem ele é.

Nascido na “mormoníssima” Boise, em Idaho – apesar de criado no Texas –, Dehlin vem duma tradicional família SUD. Após servir como missionário na Guatemala para sua igreja (1988-1990), frequentou a BYU (Universidade Brigham Young), onde se formou em Ciência Política. Depois de formado, trabalhou para várias empresas da área de computação, incluindo a Microsoft, e para a própria AIJCSUD. Trabalhou, ainda, para a Universidade Estadual de Utah e para o MIT, no desenvolvimento e coordenação de programas de educação online.

Na Universidade Estadual de Utah, também fez seu mestrado, pesquisando o desenvolvimento dum tratamento para o TOC baseado na experiência religiosa, com foco na população mórmon de orientação gay que se submetia a tentativas de mudança de orientação sexual. E, hoje, termina seu doutorado em Psicologia Clínica e Aconselhamento, aprofundando sua pesquisa sobre a relação entre religião e saúde mental.

É casado com Margaret – os dois foram ortodoxamente “selados” num templo SUD –, e é pai de três filhas e um filho.

Ele tem sido um personagem central no movimento de levar o “mormonismo” para o universo das discussões online com aqueles mórmons interessados em discutir a história e as ideias da tradição SUD. Seu trabalho tornou-se, desde o início dos anos 2000, um suporte especialmente àqueles SUD que se viam excluídos por não poderem discutir suas dúvidas, nem encontrarem uma rede de apoio dentre seu próprio povo. Participou na organização duma rede de mórmons para apoiarem jovens gays mórmons, que sofrem uma alta incidência de suicídio, especialmente em Utah e estados vizinhos. Tornou-se um bastião de esperança para muitos em sua própria denominação.

Dehlin disse hoje numa entrevista ao The Salt Lake Tribune que se for excomunhado, respeitará a decisão da igreja. Para ele, a igreja tem o direito de decidir quem pode continuar a ser membro.

O que os poderosíssimos líderes mórmons de Utah não se dão conta, entretanto, é que sua já longa perseguição a John Dehlin – baseada numa afirmação feita fora da igreja por um membro que não ocupa posições de liderança na mesma – poderá tornar-se um “tiro no pé” da própria igreja SUD. Imaginem ter de explicar isso ao eleitorado dos Estados Unidos do século XXI, se Mitt Romney se pré candidatar, mais uma vez, a Presidente dos EUA... É aguardar e ver o que acontece!

+Gibson

Saturday, January 10, 2015

A onipresença da polarização na relação com “o outro”





Ela parece estar em todos os lugares. É só estar atento ao que se diz lá fora. A polarização parece, muitas vezes, haver se tornado o termo que resume bem o espírito vocalizado nos meios de comunicação e nos púlpitos políticos e religiosos mundo afora.

Obviamente, nos negamos a reconhecê-la como parte de nosso sofisticado imaginário (pós)moderno – mas, por mais que neguemos sua presença, ela está lá, envergonhando nossa suposta capacidade de racionalizar, de forma refinada, nossa realidade social. Gostemos ou não, a onipresente polarização nos domina.

Defrontadas com uma perceptível ameaça externa, as pessoas tendem a se esquecer de suas diferenças e a formar um grupo unificado. Esse processo de coesão é uma característica importantíssima da polarização. A melhor representação pictórica disso encontra-se nas imagens do atual e do anterior presidentes franceses, Hollande e Sarkozy, juntos esta semana. As diferenças são engavetadas, mesmo que apenas temporariamente, em nome dum objetivo supostamente comum – no caso dos franceses, a “guerra ao terror”.

As imagens dos protestos na Alemanha contra a presença de imigrantes muçulmanos no país – que, confesso, me aterrorizaram, por se parecerem com protestos semelhantes aos do nascente movimento nazista no século XX – apontam para outra característica dessa polarização de nosso tempo: a estereotipagemdo outro. A mesma característica, aliás, presente no Brasil durante as campanhas eleitorais, e mesmo depois. Grupos rivais que adotam um conjunto de opiniões exageradamente simplificadas sobre as supostas características de seus oponentes, presumindo que todos eles compartilhem um conjunto de características indesejáveis. É só escolher o grupo simplificado: a direita; a esquerda; os fundamentalistas; os ateus; os evangélicos; os muçulmanos; os judeus; os homossexuais; os heterossexuais; os negros; os brancos; os homens; as mulheres; os ricos; os pobres; os brasileiros; os norte-americanos – e lembrar-se dos adjetivos que frequentemente são associados a esses “grupos”.

Subjacente ao desenvolvimento daquelas ideias estereotipadas sobre o outro, além dos demais aspectos da polarização, encontra-se o fenômeno da percepção seletiva. Ou seja, tendemos a ver e ouvir aquilo que esperamos ver e ouvir, especialmente quando nossas emoções encontram-se à flor da pele. Baseados no que percebemos, frequentemente reagimos de formas antagônicas aos outros, e eles, como resposta, agem de formas tais que acabam por confirmar nossas expectativas. E quanto mais intensas as emoções, maiores são as probabilidades de isso ocorrer. Mais uma vez, é só pensar no que ocorreu no Brasil durante as últimas campanhas eleitorais e imediatamente após as eleições: a ameaça da “direita” no discurso de alguns, aparentemente confirmada, posteriormente, por marchas que pediam o retorno do regime militar!

Mas a tendência de grupos polarizados a desenvolverem ideias exageradamente simplificadas (estereótipos) não se limita apenas a ideias sobre seus oponentes, também inclui estereótipos sobre si próprios. Assim, aquilo que os oponentes apontam como características indesejáveis, muitas vezes, transformam-se em ideias e racionalizações simplificadas (ideologias) que justificam os próprios sentimentos ou comportamentos. E porque as ideias são exageradamente simplificadas e imprecisas, a ideologia unifica pessoas que, de outra forma, discordariam entre si. Presos às teias da polarização e suas emoções auxiliares, poucos se dão ao trabalho de comparar a ideologia à realidade.

Quando a polarização domina, o desenvolvimento do comportamento “defensivo” de cada grupo torna-se padrão. O processo toma forma num espiral de ação-reação, que pode até resultar, em casos extremos, em muitos “defensores” mortos. E, obviamente, o elemento crucial nesse processo não é “a verdade” sobre o outro ou sobre si, mas aquilo que se pense ser verdadeiro sobre o outro e sobre si mesmo.

O espiral da ação-reação e a percepção das ações do oponente como ofensivas não são, necessariamente, processos irracionais. Como cada grupo vê o outro como uma ameça real, e a polarização se intensifica, o próximo passo defensivo lógico se torna um “ataque preventivo”. Por exemplo, um exército que se concentre numa fronteira para evitar uma invasão se parece muito com um exército que se prepara para invadir!... Não muito diferente da forma como nossas sociedades têm se comportado interna e externamente – só temos de nos dar ao trabalho de observar.

...Tornamo-nos, infelizmente, escravos dos processos de polarização em nossas relações com “o outro”. A polarização tornou-se onipresente!

Gibson

Friday, January 9, 2015

O espetáculo do terror e o assassínio de nossa humanidade


Qualquer interessado que se dê ao trabalho de pesquisar cuidadosamente o tema saberá que não há uma definição globalmente aceita do que seja terrorismo. Isso faz com que, como escrito por Brian Jenkins ainda em 1974, o termo seja usado promiscuamente, aplicado a todo tipo de violência que, estritamente falando, não seria terrorismo. Todas as mais frequentes definições de terrorismo, entretanto, concordam que o mesmo seja um instrumento utilizado por certos atores para atingir certos objetivos, espalhando medo e ansiedade por meio de atos violentos; e esses atos violentos seriam parte do instrumento, e não o objetivo per se (JENKINS, 1974; HOFFMAN, 1998; GANOR, 2005; NEUMANN, SMITH, 2008).

Se nos ancorássemos à antiga perspectiva de Jenkins, aceita até 2001, abraçaríamos aquela sua conhecida ideia de que terroristas queririam muita atenção e não muitas mortes. Hoje, apesar de haver mudado sua perspectiva acerca do número de mortes desejado por terroristas, o autor – e todos os demais especialistas em terrorismo do mundo – continua a defender sua crença de que a publicidade do ato seja uma característica central de qualquer ação terrorista. E a importância da publicidade reside no fato de esta servir de meio para alastrar o medo e a ansiedade generalizada.

Pare e pense, por um instante, no caso francês. Foi uma tragédia humana – e, para mim, tragédia em absolutamente todos os sentidos (no que tange às vítimas, à sociedade espectadora e aos próprios criminosos). Uma tragédia que nenhum de nós – supondo que você pense como eu – gostaria de ver repetir-se em lugar nenhum do globo.

Pare e pense, agora, na cobertura dada pela mídia global à “caçada” policial a esses criminosos. Diferentes jornais, revistas, redes de televisão e rádio, do mundo inteiro, têm feito seu trabalho e divulgado as notícias relativas ao caso. Mas a cobertura – que, sim, deve acontecer, especialmente num caso em que profissionais da imprensa foram vitimados –, principalmente quando feita de forma sensacionalista, não deixa de contribuir para o objetivo final de qualquer ação terrorista: conseguir publicidade suficiente para criar um temor e ansiedade generalizados. A notícia, assim, tão essencial à liberdade e à democracia, transforma-se numa espada de dois gumes: informa-nos ao mesmo tempo em que nos torna mais uma peça no tabuleiro do jogo do terror (cujo objetivo é vencer-nos pelo medo).

E a imposição de medo intentada por terroristas tem feito mais danos às liberdades civis, naquilo que chamam de Ocidente, do que tem causado mortes diretas. A maior morte causada pelo terrorismo nas sociedades ocidentais têm sido o assassínio das antigas ilusões de liberdade e igualdade sob a lei, como uma forma de assassínio de nosso senso moderno de humanidade. Pergunte isso a qualquer muçulmano na Alemanha, França, Grã-Bretanha ou Estados Unidos, só para citar alguns casos. Essas pessoas, inocentes dos crimes cometidos pelos supostos jihadistas que vimos nos noticiários nos três últimos dias, são as que antecipadamente já pagam o preço, tendo agredidas suas dignidades e liberdades. Esta é uma cena que tem se repetido desde, pelo menos, 2001. Soa, ironicamente, como uma grande vitória dos terroristas.

Hoje mesmo, mais 7 pessoas morreram em outro atentado em Islamabad, no Paquistão. Onze haviam morrido ontem, em outra região do país. Uma bomba explodiu dentro duma mesquita no Iraque – algumas dezenas de mortos. Você viu isso ser relatado em algum noticiário de onde você está? Por que não? Por que isso não afeta nossa sensibilidade? Isso não é uma afronta ao nosso senso de liberdade e dignidade? Não é uma afronta à nossa humanidade?... Só alguns pensamentos para terminar minha sexta-feira!

Gibson



Referências:

GANOR, B. The Counter-Terrorism Puzzle: a Guide for Decision Makers. New Brunswick: Transaction, 2005. p.1-24.

HOFFMAN, Bruce. Inside Terrorism. Nova York: Columbia University Press, 1998. p.13-44.

JENKINS, Brian. International Terrorism: a new kind of warfare. Santa Monica: RAND, 1974.

NEUMANN. Peter R.; SMITH, Michael Lawrence Rowan. The Strategy of Terrorism: how it works, and why it fails. Nova York: Routledge, 2008. p.1-11.

Sunday, January 4, 2015

Educação moral?


Numa conversa sobre educação, ouvi comentários de alguns colegas sobre questões relativas à moral que me deixou confuso sobre se realmente conseguiam compreender o papel da moralidade na educação. Mesmo alguns pesquisadores da educação costumam, aparentemente, confundir a validade da preocupação moral na educação escolar com um antigo componente curricular ensinado durante o último regime militar brasileiro (a chamada “Educação Moral e Cívica”). Aqui, gostaria de brevemente explicar porque acredito que o que fazemos na escola pode ser identificado como educação moral.

Sei o quanto a maioria dos professores provavelmenteodiaria me ouvir dizendo isso, mas o direi assim mesmo: o ensino dos componentes curriculares da área das chamadas “ciênciashumanas” está, inevitavelmente, entrelaçado a uma educação moral dos alunos. E não digo isso apenas para fazer um trocadilho com o nome da antiga matéria que se ensinava nas escolas brasileiras durante o último regime militar!

Se você ainda não desistiu de continuar a ler este texto, permita-me apresentar minha defesa.

Na escola, sempre que abordamos algum tema que lide com problemas que enfrentamos socialmente, no passado ou no presente – e a abordagem de tais tipos de temas ocorre com frequência na área das humanidades –, tomamos posições no que concerne a tais problemas (voluntária ou involuntariamente, favorável ou infavoravelmente, etc). Assim, se tratamos acerca de temas como escravidão, guerras, racismo, sexismo, liberdade de pensamento, discriminação religiosa, colonialismo, violência, trabalho infantil, migração etc, explícita ou implicitamente expomos nossa compreensão da natureza moral de tais questões. Se, em aula, por exemplo, condenamos o racismo, a violência e a exploração, seja por acreditarmos que sejam imorais, ou simplesmente porque somos obrigados pela legislação ou pelo senso de correção política, não importa – o que importa, aqui, é que essa condenação faz parte duma educação moral do aluno.

Felizmente, ainda não tive o desprazer de conhecer um professor ou professora que ensinasse a seus alunos que um ser humano de pele negra seja, cientificamente comprovado, inferior a um ser humano de pele branca, ou que não há nada errado em sair por aí resolvendo seus problemas por meio da força. Todos os professores e professoras que conheci até hoje na Educação Básica têm, felizmente, ensinado, explícita ou implicitamente, coerente ou incoerentemente, que há limites entre o moral e o imoral nas relações humanas – na Educação Superior isso se dá de forma distinta, onde já ouvi defesa de posições que, obviamente, não se poderia defender diante de crianças ou adolescentes. Todos esses professores e professoras, mesmo na Educação Superior – novamente, explícita ou implicitamente, coerente ou incoerentemente –, levam a cabo uma educação moral.

Quando, por exemplo, um professor universitário, que seja crítico do que chama de “moralismo religioso”, professa uma palestra acerca da condição da mulher na “sociedade patriarcal machista”, incitando reflexões e incentivando mudanças de comportamento, o que ele está fazendo é educação moral. Comparando isso ao que seria feito tradicionalmente por um religioso, por exemplo, suas premissas, suas razões, os detalhes de suas argumentações, e mesmo suas conclusões podem ser distintas, mas ambos estariam engajados num tipo de educação moral. O mesmo ocorre na escola. Você não precisa ser religioso, acreditar numa deidade, ou corresponder a todas as expectativas tradicionais de moralidade ou eticidade para se engajar no processo de ensino-aprendizagem moral. Só precisa ser humano!